Resumo
Introdução: Introdução: O envelhecimento populacional está associado ao aumento da prevalência de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) que requerem o uso de medicamentos para o tratamento dessas condições. A polifarmácia está associada à maior complexidade terapêutica e vulnerabilidade clínica na população idosa. Objetivos: Avaliar a prevalência de polifarmácia e fatores associados em idosos atendidos em um ambulatório de especialidades do SUS. Material e Método: Trata-se de um estudo transversal, de abordagem quantitativa, realizado entre outubro de 2025 e abril de 2026. Foram incluídas pessoas idosas (≥60 anos), atendidas em um Ambulatório de Especialidades do Sistema Único de Saúde (SUS), localizado no norte do Espírito Santo. Após a consulta médica geriatra, os pacientes foram encaminhados para o atendimento farmacêutico para coleta de dados sociodemográficos, histórico de saúde e farmacoterapêutico. Considerou-se polifarmácia o uso concomitante de cinco ou mais medicamentos. Para análise das associações, foram utilizados o teste t de Student e o teste do Qui-quadrado (χ²), adotando-se nível de significância de 5% (p<0,05). O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, conforme parecer nº 6.071.609. Resultados: Foram avaliados 258 idosos com média de idade de 77,3 anos (60–103 anos), dos quais 38% eram octogenários. Todos apresentavam pelo menos uma DCNT, sendo hipertensão arterial sistêmica (HAS; 84,21%) e diabetes mellitus (DM; 41,73%) as mais prevalentes. Os participantes utilizavam, em média, 7,1 medicamentos, e a polifarmácia foi observada em 79,5% da amostra (n=205). Não houve associação entre polifarmácia e idade (p=0,133) ou sexo (p=0,159). Em contrapartida, observou-se associação com necessidade de cuidador (p=0,004), HAS (p<0,001), DM (p<0,001) e dislipidemia (p=0,042). A ansiedade (p=0,094) e depressão (p=0,087) não apresentaram associação significativa. Discussão : A polifarmácia esteve mais relacionada à presença de DCNT cardiometabólicas e à necessidade de cuidador do que à idade. Assim, a complexidade clínica e terapêutica, mais que o envelhecimento, pode estar associada à polifarmácia. Nesse contexto, o cuidado farmacêutico deve considerar as especificidades da pessoa idosa e incluir o cuidador na orientação e no acompanhamento da farmacoterapia, especialmente quando participa da administração dos medicamentos. Conclusão: A polifarmácia apresentou elevada prevalência e esteve associada à necessidade de cuidador e à presença de condições crônicas, mas não à idade ou ao sexo. Os achados reforçam a importância do acompanhamento farmacoterapêutico individualizado, visando promover o uso racional e seguro de medicamentos.

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