Resumo
Introdução: O uso de nanocarreadores tem sido cada vez mais estudado como opção terapêutica no tratamento de neoplasias. Esses nanomateriais podem transportar agentes antineoplásicos para tecidos afetados por células cancerígenas e liberá-los controladamente, evitando efeitos citotóxicos em células saudáveis. Dentre uma gama de nanocarreadores, a nanopartícula de sílica mesoporosa é uma das mais exploradas nessa área. Uma molécula bioativa que vem sendo amplamente estudada devido a um potencial antitumoral é a chalcona. Objetivos: Avaliar o grau de incorporação e liberação da molécula de chalcona em nanopartículas de sílica mesoporosa. Material e Método: Para realizar a síntese de nanopartículas de MCM-41, o surfactante brometo de cetiltrimetilamônio (CTAB) foi dissolvido em água e misturado com NaOH também dissolvido. A mistura foi posta em banho-maria, no qual tetraetilortossilicato (TEOS) foi gotejado quando a temperatura se estabilizou a 80°C. Posteriormente, realizou-se centrifugação, lavagem, secagem e calcinação a 550°C, obtendo-se um pó branco como produto final. Foi utilizada microscopia eletrônica de varredura (MEV) para caracterizar a morfologia da superfície da MCM-41. Para o método de incorporação, as nanopartículas de MCM-41 foram deixadas em contato com a solução de hidroxichalcona 2000μg/ml, tendo o butanol como solvente, durante 48 horas. A liberação foi quantificada utilizando espectrofotômetro UV-Vis. Uma curva de calibração foi preparada para a quantificação. Resultados: As imagens obtidas por MEV indicaram nanopartículas com formato predominantemente esférico e distribuição homogênea de tamanho. A hidroxichalcona apresentou comprimento de onda de 308nm, gerando a equação da reta de y=0,0668x-0,003 com R²=0,9995. A incorporação do fármaco na nanopartícula foi de 12,25% e a porcentagem média de fármaco liberado, determinado em triplicata, foi de 5,76% após 48 horas. Discussão : O R² da curva de calibração indica uma boa correlação entre os dados. Os valores de incorporação se demonstraram satisfatórios e a porcentagem da biomolécula liberada, após as 48 horas, indica um potencial de liberação controlada ao decorrer do tempo. Conclusão: Dados os resultados apresentados, foi possível realizar o processo de síntese de MCM-41, incorporação e liberação do fármaco com sucesso, indicando a possibilidade de criação de um sistema de liberação de fármaco controlado para futuras aplicações terapêuticas.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Copyright (c) 2026 Guilherme Bazoni de Oliveira, Emilly Stofel Ludovico, Rodrigo de Almeida Romagna, Reginaldo Bezerra dos Santos, Anderson Maia Peres, Marcelo Antonio de Oliveira, Rodrigo Rezende Kitagawa, Gracielle Ferreira Andrade

