Resumo
Introdução: A casca da laranja (Citrus sinensis) é uma fonte de compostos bioativos, como pectina, óleo essencial e Carbon Quantum Dots (CQDs), com potencial para aplicações farmacêuticas. Entre eles, o óleo essencial destaca-se por suas propriedades antimicrobianas, antioxidantes e anti-inflamatórias, tornando-se um candidato promissor ao desenvolvimento de formulações farmacêuticas. Assim, este estudo objetivou obter esses compostos bioativos, desenvolver uma formulação farmacêutica estável, avaliar a atividade antioxidante do óleo essencial pelo método do radical ABTS e caracterizar a formulação quanto às propriedades físico-químicas e microbiológicas. Material e Método: Os compostos bioativos da casca de laranja (Citrus sinensis) foram obtidos por diferentes técnicas de extração. A pectina foi extraída por hidrólise ácida, o óleo essencial por prensagem mecânica a frio e os Carbon Quantum Dots (CQDs) por carbonização assistida por micro-ondas. Posteriormente, foi desenvolvida uma formulação em gel contendo os compostos bioativos, sendo selecionada aquela que apresentou melhor desempenho durante os ensaios preliminares. A atividade antioxidante do óleo essencial foi determinada pelo método do radical ABTS, utilizando o Trolox como padrão de referência. Por fim, o protótipo foi caracterizado quanto às propriedades organolépticas, pH, densidade, estabilidade físico-química e qualidade microbiológica. Resultados: A extração da pectina apresentou rendimento de 22,6%. O óleo essencial foi obtido por prensagem mecânica a frio, com rendimento de aproximadamente 2,25 mL/100 g de epicarpo. Pelo método ABTS, o óleo apresentou atividade antioxidante de 469,14 µg/mL equivalentes de Trolox na amostra fresca e 1004,8 µg/mL após tratamento térmico. A síntese dos Carbon Quantum Dots (CQDs) foi confirmada por fluorescência sob radiação ultravioleta. A formulação em gel contendo os compostos bioativos apresentou adequada consistência, homogeneidade e espalhabilidade. Discussão : Os resultados demonstraram viabilidade para aplicações farmacêuticas. O tratamento térmico promoveu aumento de aproximadamente 2,1 vezes na atividade antioxidante do óleo. Nos testes de caracterização, a formulação manteve estabilidade físico-química, características organolépticas, resistência à centrifugação e aos ciclos de congelamento e descongelamento, além de pequenas variações de pH e densidade durante o armazenamento e qualidade microbiológica adequada. Conclusão: A casca da laranja demonstrou potencial como fonte de pectina, óleo essencial e Carbon Quantum Dots para aplicações farmacêuticas. O óleo essencial apresentou expressiva capacidade antioxidante pelo método ABTS, especialmente após o tratamento térmico, reforçando seu potencial como componente bioativo. A formulação desenvolvida contendo os compostos obtidos apresentou estabilidade físico-química satisfatória. Os achados reforçam o aproveitamento de resíduos agroindustriais para o desenvolvimento de produtos farmacêuticos sustentáveis, com potencial impacto na saúde.

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