PE-09 Diagnóstico multiprofissional de hemofilia B grave associada à doença de von Willebrand tipo 1: relato de caso

Palavras-chave

Hemofilia B;
Doenças de von Willebrand;
Hemostasia;
Equipe Multiprofissional;
Relatos de Casos.

Como Citar

Teixeira, M. B., da Silva, D. R. C., da Silva, L. C., Rocha, D. M. do C., Orletti, M. do P. S. V., Leite, A. B., Pêgos, A. R., & Prezotti, A. N. L. (2026). PE-09 Diagnóstico multiprofissional de hemofilia B grave associada à doença de von Willebrand tipo 1: relato de caso. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 11(s.5). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00610

Resumo

Introdução: A hemofilia B (HB) é coagulopatia hereditária ligada ao cromossomo X, caracterizada pela deficiência do fator IX. A doença de von Willebrand (DVW) tipo 1 decorre da redução quantitativa parcial do fator de von Willebrand (FVW). A coexistência entre HB grave e DVW tipo 1 é rara, potencialmente subdiagnosticada e pode ampliar o risco hemorrágico. Objetiva-se relatar caso pediátrico dessa associação, destacando a contribuição multiprofissional para elucidação diagnóstica e manejo terapêutico individualizado. Material e Método: Estudo descritivo observacional do tipo relato de caso, realizado no Hemocentro do Espírito Santo, com resumo elaborado conforme itens aplicáveis do checklist CARE. Avaliou-se paciente masculino, com um ano de idade, encaminhado por apresentar sangramento anormal após vacinas, com histórico familiar positivo para coagulopatias hereditárias. A investigação incluiu anamnese, avaliação hematológica, levantamento de antecedentes familiares, análise laboratorial da hemostasia e orientação farmacêutica aos responsáveis. Foram avaliados tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPA), estudo de mistura, atividades dos fatores IX e VIII, antígeno do FVW (FVW:Ag), atividade do FVW (FVW:Atv) e cofator de ristocetina. O estudo integra projeto aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, parecer nº 7.289.474. Os responsáveis assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, autorizando o uso anonimizado dos dados. Resultados: O histórico familiar revelou sobrinho materno com HB leve e avô materno com HB grave. A investigação demonstrou TTPA com razão de 4,05, e atividade do fator IX de 0,7%, compatível com HB grave. A avaliação complementar identificou FVW:Ag de 38,4%, FVW:Atv de 32,3%, cofator de ristocetina de 34,3% e fator VIII de 48%, com razão atividade/antígeno igual ou superior a 0,7, compatível com DVW tipo 1. Discussão : A identificação simultânea das duas coagulopatias permitiu reconhecimento de condição potencialmente subdiagnosticada e com risco hemorrágico ampliado. A equipe multiprofissional definiu profilaxia primária com concentrado de fator IX, 30–40 UI/kg, duas vezes por semana, além de plano individualizado para intercorrências hemorrágicas e procedimentos invasivos. A desmopressina foi considerada para situações planejadas relacionadas à DVW, após teste-dose. A descrição de um único paciente e o período limitado de acompanhamento restringem a generalização dos achados. Conclusão: A coexistência entre HB grave e DVW tipo 1 representa condição rara e relevante. O caso demonstra a importância da investigação laboratorial ampliada e da integração entre hematologia, análises clínicas e assistência farmacêutica para reconhecer coagulopatias concomitantes, planejar o tratamento e ampliar a segurança do cuidado.

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00610
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