Resumo
Introdução: O Diabetes Mellitus (DM) é uma doença metabólica crônica caracterizada por hiperglicemia persistente, decorrente de falhas na secreção e/ou ação da insulina, sendo que o Espírito Santo registrou cerca de 368.036 adultos com diagnóstico de DM em 2023. Quando não controlado de forma adequada, pode acarretar descompensações agudas e crônicas que comprometem a qualidade de vida do paciente, sendo este cenário frequentemente associado à baixa adesão medicamentosa, alimentação inadequada, sedentarismo e falta de acompanhamento contínuo por equipes multiprofissionais. O presente trabalho tem como objetivo descrever e analisar a vivência de consultas farmacêuticas na Atenção Primária à Saúde (APS), voltado aos pacientes que vivem com DM, destacando as estratégias utilizadas, os resultados obtidos e as contribuições dessa experiência para o aprimoramento das práticas em farmácia clínica. Material e Método: Trata-se de um estudo descritivo, qualitativo, do tipo relato de experiência, elaborado a partir da vivência da residente farmacêutica durante a realização de consultas farmacêuticas na APS, voltado à pacientes que vivem com DM. A experiência foi desenvolvida em uma Unidade de Saúde, em Vila Velha/ES, no período de junho de 2025 à agosto de 2025. Inicialmente, foi planejado as ações, seguido da execução das atividades, como as consultas farmacêuticas e ações de educação em saúde, com posterior discussão crítica sobre os resultados observados. Por se tratar de um relato de experiência, sem identificação dos participantes, não houve necessidade de submissão ao Comitê de Ética, em conformidade com a Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde. Resultados: Nas consultas individuais, o uso sistemático do mapa de controle mostrou-se uma ferramenta importante para organizar informações clínicas, terapêuticas e sociais dos pacientes, o que possibilitou o desdobramento de cada problema relacionado ao tratamento, sendo possível a ação diretamente nestes pontos. Todas as prescrições foram otimizadas de acordo com as necessidades sociais e fisiológicas do paciente, pensadas em conjunto com o médico responsável. Os momentos coletivos foram percebidos como espaços de escuta, acolhimento e troca de experiências entre os participantes. Durante as atividades, observou-se envolvimento ativo dos usuários, que compartilharam vivências, esclareceram dúvidas e demonstraram interesse pelos temas abordados. Discussão: O uso sistemático do mapa de controle favoreceu a identificação de problemas relacionados à farmacoterapia, como dificuldades de adesão, uso inadequado de medicamentos e barreiras sociais que interferem no tratamento, possibilitando intervenções direcionadas e mais resolutivas, sendo que a posterior otimização das prescrições, realizada de forma compartilhada entre o farmacêutico e o médico, reforça a importância do trabalho interprofissional na atenção à saúde. Além disso, na troca de vivências entre pares, pode haver a estimulação de mudanças comportamentais, com consequente aumento da motivação para o tratamento e fortalecimento do vínculo dos usuários com os serviços de saúde. Conclusão: A experiência demonstrou que a associação entre acompanhamento farmacoterapêutico individualizado e estratégias coletivas de educação em saúde contribui para a identificação de problemas relacionados ao uso de medicamentos, para o fortalecimento da adesão ao tratamento e para a promoção da autonomia dos usuários no manejo de sua própria saúde.

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