PE-043 Panorama das Evidências sobre Toxicidade Financeira em Oncologia: revisão narrativa de revisões

Palavras-chave

Toxicidade Financeira; Câncer; Despesas Catastróficas em Saúde; Revisão

Como Citar

de Oliveira, F. A., Novo, M. A. F. M., Lima, J. P. da S. N., & Campolina, A. G. (2026). PE-043 Panorama das Evidências sobre Toxicidade Financeira em Oncologia: revisão narrativa de revisões. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 11(s.4). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00538

Resumo

Introdução (com objetivo): Toxicidade financeira (TF) está sendo reconhecida como um efeito adverso do custo do câncer, análogo a toxicidade clínica, capaz de comprometer os resultados do tratamento. O objetivo desta revisão é sintetizar as evidências relacionadas à prevalência do fenômeno e aos fatores associados. O objetivo desta revisão é sintetizar as evidências sobre a TF, como fatores de risco, consequências, conceito, mensuração e estratégia de mitigação. Material e Método: Trata-se de uma revisão narrativa de revisões (“overview of reviews”). O estudo seguiu uma abordagem estruturada, conforme as recomendações metodológicas para revisões de revisões proposta pela Cochrane e o checklist PRISMA 2020, adaptado para o formato narrativo. A busca bibliográfica foi realizada na base de dados PubMed/MEDLINE, sem restrição de idioma, tipo de publicação ou período temporal, em 07 de junho de 2025. Resultados: Dentre os 34 estudos incluídos, 28 estudos são revisões sistemáticas e 6 artigos são revisões de escopo. A maioria das pesquisas foi realizada em países de alta renda, especialmente nos Estados Unidos. Os estudos abordaram vários tipos de câncer, com foco mais notável nos cânceres de mama, colorretal, próstata, bexiga e pulmão. Metade dos estudos abordaram “prevalência” como tópico; o segundo tópico mais estudado foi fatores de risco associados a TF. Dentre os demais temas estão: impacto da TF, métodos de triagem, intervenção e formas de se mensurar a TF. Existe uma heterogeneidade significativa na forma como a toxicidade financeira é definida e medida. Atualmente, ela é vista como um problema universal, que afeta pacientes mesmo em sistemas de saúde com financiamento público e cobertura universal. A prevalência varia de acordo como a TF é medida; de forma geral, a TF em pacientes oncológicos apresenta uma prevalência global estimada em torno de 45 a 48% segundo meta-análises que utilizaram ferramentas de autorrelato, como a escala COST. A TF é mais frequente em contextos de menor desenvolvimento econômico, atingindo até 78,8% em países de baixo e médio rendimento, enquanto em países de alto rendimento a prevalência é menor. O conceito de TF é multifacetado, abrangendo não apenas os custos objetivos relacionados ao tratamento, mas também o sofrimento subjetivo relacionado ao estresse financeiro, no entanto, as avaliações realizadas nos estudos revisados frequentemente não contemplam a complexidade desse fenômeno, concentrando-se majoritariamente em indicadores econômicos objetivos ou em ferramentas que não abrangem os todos os domínios envolvidos nesta problemática, como, por exemplo FACIT- COST. Esta mensuração heterogênea impossibilita comparações consistentes entre diferentes contextos. Uma das conclusões mais fortes e consistentes é a associação negativa entre TF e qualidade de vida. Conclusões: A TF em pacientes oncológicos exige uma abordagem multidimensional que considere os aspectos objetivos e subjetivos A padronização de instrumentos de avaliação e a ampliação do escopo dos estudos são passos necessários para documentação de dados para o desenvolvimento de políticas públicas e práticas clínicas que minimizem esse problema, melhorando a qualidade de vida e os resultados clínicos dos pacientes oncológicos. Apesar do crescente volume de pesquisas, há uma necessidade urgente de estudos longitudinais, maior diversidade geográfica e avaliações da eficácia de intervenções que possam minimizar esse problema, sobretudo em países de baixa e média renda.

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00538
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