Resumo
Introdução (com o objetivo): A gestão de medicamentos de alto custo em ambientes de alta complexidade exige estratégias que transcendam a logística convencional, demandando o que se define como inteligência farmacoeconômica. No contexto da neonatologia do Hospital Dom Malan, identificou-se uma ineficiência estrutural na utilização do surfactante porcino (poractante alfa): o cenário pré-intervenção era caracterizado pelo uso recorrente de duas ampolas de 1,5 ml para compor doses terapêuticas únicas, gerando um custo por procedimento de R$ 3.606,92, muito superior ao custo de uma ampola de 3,0ml. Tal prática evidenciava uma lacuna de sustentabilidade e uma oportunidade crítica para a otimização de recursos. O objetivo deste trabalho é descrever a implementação de uma estratégia de otimização de doses baseada na atualização do elenco e na intervenção farmacêutica ativa, quantificando o impacto financeiro e a sustentabilidade dessa melhoria ao longo de doze meses. Descrição: A intervenção pautou-se na transição para um modelo de governança clínica ativa. As etapas consistiram em: 1) Análise de minimização de custos, comparando o custo-oportunidade entre apresentações comerciais; 2) Reengenharia do elenco, com a padronização estratégica da ampola de 3,0 ml (Custo: R$ 2.440,33); 3) Protocolo de intervenção direta, conferindo autonomia ao farmacêutico clínico para a revisão sistemática das prescrições e substituição imediata da solicitação fracionada pela otimizada; 4) Monitoramento em tempo real, assegurando que a decisão clínica estivesse alinhada à eficiência administrativa. Resultados: O estudo consolidou os dados do primeiro ano de implementação (março de 2025 a março de 2026). A substituição da dose fracionada pela dose única de 3,0 ml reduziu o custo direto por aplicação em 32,3%, gerando uma economia de R$ 1.166,59 por dose. Ao longo de doze meses, o consumo de 136 ampolas de 3,0 ml resultou em um custo evitado acumulado de R$ 158.656,24. A análise de tendência demonstrou estabilidade absoluta na melhoria, com 100% de adesão institucional desde o primeiro mês, comprovando que a barreira farmacêutica ativa é um método sustentável e eficaz para o controle de gastos em saúde pública. Conclusão: A inteligência farmacoeconômica aplicada demonstrou que a otimização de doses é um mecanismo vital para a sustentabilidade do Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto comprovou que a intervenção farmacêutica estratégica transforma a gestão de medicamentos de alto custo, entregando uma economia superior a R$ 150 mil reais em um único item terapêutico. Este relato ratifica o papel do farmacêutico como gestor de valor, capaz de converter análises técnicas em resultados financeiros robustos e preservação da qualidade assistencial.

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