PE-066 Quedas em Idosos: Fatores de Risco, Vulnerabilidade e Uso de Medicamentos Potencialmente Inapropriados por Idosos de uma Unidade Básica de Saúde

Palavras-chave

Idoso;
Fragilidade;
Queda;
Medicamento Potencialmente Inapropriado para Idoso;
Atenção primária à saúde.

Como Citar

Gomes, L. S., Ribeiro, P. L. C., Paula, W., Paula, C. A., & Nascimento, R. C. R. M. (2026). PE-066 Quedas em Idosos: Fatores de Risco, Vulnerabilidade e Uso de Medicamentos Potencialmente Inapropriados por Idosos de uma Unidade Básica de Saúde. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 11(s.4). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00557

Resumo

Introdução (com objetivo): O aumento da expectativa de vida traz consigo o desafio de repensar as políticas públicas para os idosos. O envelhecimento está intimamente associado ao processo de fragilidade e as quedas em idosos constituem um importante problema de saúde pública. Neste contexto, o presente trabalho teve como objetivos avaliar a ocorrência de quedas em idosos atendidos em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do município de Ouro Preto, Minas Gerais (MG), e os fatores de risco associados à queda. Material e Método: Trata-se de um estudo transversal, realizado entre 2024 e 2025, com idosos cadastrados no prontuário eletrônico e-SUS, em uma UBS de Ouro Preto, MG. Pessoa idosa foi definida como indivíduo com idade igual ou maior que 60 anos. O questionário Índice de Vulnerabilidade Clínico-Funcional - 20 (IVCF-20) foi utilizado para a estratificação do risco de fragilidade, classificando os idosos em robusto, risco de fragilidade e frágil. Os medicamentos foram classificados como potencialmente inapropriados para idosos (MPIs) de acordo com o Critério Beers 2023. Polifarmácia foi definida como o uso concomitante de cinco ou mais medicamentos. Construiu-se uma base de dados em planilha Microsoft Excel®. As variáveis foram descritas por frequências absolutas e relativas, médias e desvio padrão, e calculou-se as razões de chance (RC) com seus respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%) utilizando-se o software STATA 13.0. Resultados: O estudo incluiu 456 idosos, predominantemente do sexo feminino (68,4%), com idade média de 69,9 anos (DP=7,5). A maioria foi classificada como em baixa vulnerabilidade clínico-funcional (55,0%). No que diz respeito à queda, 10,5% (n=48) dos entrevistados relataram histórico de duas ou mais quedas nos últimos 12 meses. Com relação ao uso de medicamentos, 39,3% dos idosos estavam em polifarmácia, e entre os relataram queda, 58,3% usavam ao menos um MPI, sendo observada a associação estatisticamente positiva entre estas duas condições e o desfecho de queda. O risco de queda foi até 10 vezes maior em idosos frágeis (RC=10,1; IC95%: 4,0 – 25,3). Discussão: A elevada frequência de uso de medicamentos potencialmente inapropriados para idosos e sua associação com a ocorrência de quedas identificadas neste estudo, reforçam evidências contemporâneas que reconhecem esses fármacos como determinantes relevantes de eventos adversos na população idosa. A literatura recente aponta que prescrições inadequadas são altamente prevalentes entre indivíduos que já experimentaram quedas, destacando principalmente medicamentos com ação sobre o sistema nervoso central como os mais implicados. Conclusões: As associações observadas demonstram a relevância do IVCF-20 como instrumento de triagem, de maneira a contribuir para o planejamento de intervenções, revisões terapêuticas e monitoramento de idosos em maior risco de queda.

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00557
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