Resumo
Introdução (com objetivo): Introdução: O envelhecimento populacional está associado a uma das transformações demográficas mais relevantes do século XXI. Assim como no Brasil, o envelhecimento populacional ainda ocorre em países desenvolvidos, como nos Estados Unidos, onde a população idosa (65 anos ou mais) alcançará 83,7 milhões até 2050, quase o dobro dos 43,1 milhões de 2012. Esse cenário demográfico está associado à transição epidemiológica, caracterizada pelo aumento das doenças crônicas não transmissíveis, que demandam regimes terapêuticos mais complexos, com maior prevalência de polifarmácia, risco de reações adversas, interações medicamentosas (IM) e uso de medicamentos potencialmente inapropriados (MPI) pelas pessoas idosas. Objetivo: Analisar o número de medicamentos utilizados por pessoas idosas americanas, suas comorbidades e ocorrência de polifarmácia, IM e MPI. Material e Método: Método: Trata-se de um estudo retrospectivo com pacientes atendidos pela primeira vez em um Centro de Cuidados para Pessoas Idosas em Huntsville, Alabama (EUA). O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Alabama em Huntsville. Em dezembro de 2025 os prontuários eletrônicos das pessoas idosas elegíveis foram revisados para obter as informações sociodemográficas, clínicas e farmacoterapêuticas pertinentes à pesquisa. A polifarmácia foi definida como o uso de cinco ou mais medicamentos, as IM foram classificadas segundo o drugs.com e os MPI conforme os Critérios de Beers (2023). A análise foi conduzida por estatística descritiva. Resultados: Resultados: Foram avaliados os dados de 150 pacientes, com idade média de 79 anos (66–95), 59,3% mulheres, 86% brancos, apresentando 48 comorbidades distintas, destes, 63,3% eram pacientes em polifarmácia. Entre as 20 comorbidades mais frequentes, 17 (85%) eram mais prevalentes entre os pacientes em polifarmácia (hipertensão arterial, colesterol alto, refluxo gastroesofágico, depressão, ansiedade, diabetes, osteoartrite, demência, hipotireoidismo, câncer, doença cardíaca, fibrilação atrial, síndrome do intestino irritável, DPOC/Enfisema, diverticulite, neuropatia periférica e artrite reumatoide). Identificaram-se 1.068 IM (9,27% maiores, 74,35% moderadas e 16,38% menores) e 326 MPI (82,7% das prescrições). As IM maiores mais prevalentes foram: ácido salicílico e apixabana (4 casos), citalopram e inibidores da bomba de prótons (IBPs) (3 casos) e clopidogrel e IBPs (3 casos). Destaca-se entre as IM moderadas mais prevalentes: atorvastatina e IBPs (16 casos), IBPs e levotiroxina (16 casos), ácido acetilsalicílico e anlodipina (8 casos), ácido acetilsalicílico e losartana (8 casos) e anlodipino e atorvastatina (8 casos). Os MPI com maior frequência foram: ácido acetilsalicílico (38 casos), omeprazol (20 casos), pantoprazol (16 casos), escitalopram (15 vezes) e donepezila (13 vezes). Conclusões: Conclusão: Os resultados evidenciam elevada prevalência de polifarmácia entre as pessoas idosas americanas, acompanhada de número expressivo de interações medicamentosas e uso de medicamentos potencialmente inapropriados. A maior concentração de comorbidades entre pacientes em polifarmácia reforça a associação entre multimorbidades e maior complexidade farmacoterapêutica. Nesse contexto, destaca-se a importância da atuação do farmacêutico na revisão sistemática da farmacoterapia, promovendo a desprescrição e o cuidado centrado no paciente.

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