Resumo
Introdução (com o objetivo): : O controle glicêmico na pediatria é um desafio central no manejo do Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1). A Assistência Farmacêutica (AF) no setor público evoluiu da logística para a garantia do acesso a tecnologias que qualifiquem o cuidado clínico. A transição do monitoramento capilar para o monitoramento contínuo da glicose (MCG) exige fluxos estruturados que garantam viabilidade técnica e sustentabilidade, assegurando que a inovação tecnológica resulte em melhores desfechos em saúde. OBJETIVOS: Descrever a estruturação do fluxo de dispensação, controle de estoque e acompanhamento de pacientes pediátricos beneficiados com sensores de MCG via Sistema Único de Saúde (SUS) em âmbito municipal. Descrição: MÉTODOS: Relato de experiência focado na gestão farmacêutica para distribuição de sensores de glicemia. A viabilização financeira ocorreu via emenda parlamentar. A AF estabeleceu critérios técnicos para a seleção do dispositivo: idade até 19 anos, diagnóstico de DM1 em acompanhamento no Instituto da Criança com Diabetes (ICD) ou via endocrinologista da rede municipal e criação de um fluxo de entrega mensal. O farmacêutico atua na conferência dos laudos médicos, na gestão do estoque especializado e para qualificação da linha de cuidado, promove educação em saúde para o uso adequado do dispositivo. Resultados: A estruturação permitiu o atendimento de 25 crianças e adolescentes em cinco meses, podendo contemplar até 50 pacientes. A centralização da dispensação na farmácia municipal garantiu 100% de rastreabilidade dos lotes e controle rigoroso de validade, reduzindo perdas por vencimento a zero. Observou-se uma redução na fragmentação do cuidado, pois o contato mensal com o farmacêutico possibilitou identificar precocemente dificuldades técnicas de uso dos sensores. Dados preliminares indicam melhor adesão ao tratamento e maior satisfação dos cuidadores com a redução das punções diárias dos dedos. Conclusão: O protagonismo da AF na gestão de tecnologias em saúde é fundamental para o sucesso de projetos inovadores. A organização logística e o controle da distribuição não apenas garantem a eficiência administrativa, mas promovem a equidade e a qualificação da linha de cuidado ao paciente com DM1. A experiência demonstra que a AF é o elo essencial para transformar recursos financeiros em benefícios clínicos sustentáveis.

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