Abstract
Introdução: A dor crônica constitui importante problema de saúde pública, sendo associada à redução da qualidade de vida e ao uso frequente de medicamentos. Entretanto, ainda são escassos estudos que caracterizem o perfil clínico e farmacoterapêutico de pacientes atendidos no Sistema Único de Saúde (SUS). Material e Método: Estudo transversal, de abordagem quantitativa, realizado em um Ambulatório de Especialidades do Sistema Único de Saúde localizado no norte do Espírito Santo. Foram incluídos pacientes adultos com dor crônica atendidos entre novembro de 2024 e outubro de 2025. Durante a triagem, foram coletados dados sociodemográficos, clínicos e relacionados à farmacoterapia por meio de formulário estruturado. Após a consulta médica, os pacientes foram encaminhados para o atendimento farmacêutico, no qual as informações clínicas e farmacoterapêuticas foram complementadas e registradas em formulário adaptado do Método Dáder de acompanhamento farmacoterapêutico. Os dados foram organizados em planilha eletrônica e analisados por meio de estatística descritiva. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, conforme Parecer nº 7.237.808. Resultados: Foram avaliados 108 pacientes, com predominância do sexo feminino (95%) e idade média de 52 anos. Os principais diagnósticos relacionados à dor crônica foram fibromialgia (55%), enxaqueca (39%), artrose (34%), artrite (20%), lombalgia (18%) e cervicalgia (12%). Em relação a intensidade da dor, 65% referiram dor severa, 28% moderada e 7% leve. Outras comorbidades como obesidade (47%), hipertensão arterial sistêmica (30%) e diabetes mellitus (11%) foram identificadas. Prejuízos no sono foram relatados pela maioria dos pacientes (94%), sendo que 30% utilizavam benzodiazepínicos para induzir o sono. Os pacientes utilizaram, em média, 6,8 medicamentos, sendo que 89% estavam em polifarmácia. Os medicamentos mais frequentemente utilizados foram pregabalina (42%), duloxetina (31%), tramadol (17%), dipirona (14%) e amitriptilina (11%). Discussão : Os medicamentos constituem importante estratégia terapêutica no manejo da dor crônica. Contudo, diante da complexidade observada, estratégias para o uso racional de medicamentos e medidas não farmacológicas devem ser ofertadas visando o cuidado integral aos pacientes com dor crônica. Conclusão: Observou-se que a maior parte dos participantes era do sexo feminino e portadoras de condições crônicas como obesidade e fibromialgia. A dor intensa e a polifarmácia foram prevalentes entre os pacientes avaliados. Desta forma, o cuidado farmacêutico pode contribuir para a promoção do uso racional de medicamentos e atenção integral às pessoas com dor crônica.

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