Abstract
Introdução: A sobrecarga laboral, o contato constante com o sofrimento humano e as múltiplas jornadas favorecem o adoecimento psíquico, muitas vezes acompanhado do uso de medicamentos como estratégia de enfrentamento desse sofrimento, especialmente entre mulheres, que representam a maior parte da força de trabalho do Sistema Único de Saúde. Objetivos: Analisar dados relacionados à saúde mental e ao uso de medicamentos entre trabalhadoras da atenção primária à saúde de um município localizado no norte do Espírito Santo. Material e Método: Trata-se de um estudo transversal, de abordagem quantitativa. Foram incluídas participantes com vínculo ativo e que responderam integralmente ao questionário. A seleção foi feita por amostragem aleatória simples com base em lista nominal fornecida pela gestão municipal. A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário estruturado e as variáveis analisadas compreenderam características sociodemográficas, condições de saúde, saúde mental, uso de medicamentos e aspectos laborais. Os dados foram organizados em planilha eletrônica e analisados por meio de estatística descritiva. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética (Parecer n. 7.121.502). Resultados: Participaram do estudo 317 mulheres, com média de idade de 42 anos. Nos últimos cinco anos, 70% das trabalhadoras entrevistadas relataram ter vivenciado problemas de saúde mental, como a ansiedade (52%), depressão (15%), síndrome do pânico (9%) e síndrome de Burnout (7%), além de prejuízos ao sono (34%). O uso excessivo de medicamentos foi relatado por 6% das entrevistas e 2% consumo de bebidas alcoólicas e drogas. Observou-se também as trabalhadoras eram portadoras de doenças crônicas, sendo a hipertensão arterial sistêmica (59%), diabetes mellitus (29%), dislipidemia (19%) as condições mais prevalentes. Quanto ao uso de medicamentos, 54% afirmaram utilizar pelo menos dois fármacos diariamente. As classes terapêuticas mais utilizadas foram: medicamentos para o sistema cardiovascular (31%), antidepressivos (15%), hormônios (12%), hipoglicemiantes (8%) e ansiolíticos/hipnóticos (4%). Discussão : Os problemas relacionados à saúde mental podem impactar na qualidade de vida e no desempenho profissional das trabalhadoras. Ademais, a prevalência de doenças crônicas e uso de medicamentos, reforça a necessidade de acompanhamento contínuo e de estratégias de prevenção de sofrimento psíquico e de promoção à qualidade de vida. Conclusão: Os achados apontam para a importância de políticas e ações de saúde voltadas ao cuidado integral das trabalhadoras da saúde, considerando tanto os aspectos físicos e psíquicos, para promover melhores condições de trabalho e contribuir com a qualidade de vida destas mulheres.

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