Abstract
Introdução: A obesidade configura-se como uma das principais Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), representando um problema de saúde pública em âmbito mundial devido à elevada prevalência e associação com diversas comorbidades, como doenças cardiovasculares, diabetes mellitus tipo 2 e alguns tipos de câncer. No Brasil, o crescimento dos casos está relacionado às mudanças no padrão alimentar, ao sedentarismo e aos determinantes sociais da saúde, exigindo estratégias integradas de prevenção e controle. O objetivo principal foi analisar os principais agentes causais da obesidade no Brasil, seus impactos na saúde pública e as principais políticas públicas voltadas ao seu enfrentamento. Material e Método: Trata-se de uma revisão sistemática guiada pela estratégia PICO (População: brasileiros; Intervenção/Exposição: fatores etiológicos; Comparação: não se aplica; Outcome: impacto na saúde/políticas), seguindo o fluxo PRISMA. A busca foi realizada nas bases PubMed e Scielo com os descritores MeSH/DeCS "Obesity", "Public Policy" e "Brazil", conectados ao operador booleano AND. Os artigos incluídos foram: originais publicados entre 2016-2026, disponíveis na íntegra e em português ou inglês. E excluiu-se artigos de revisão, editoriais, teses, estudos sem foco no contexto brasileiro ou que não abordassem as variáveis de interesse. A seleção resultou em 23 trabalhos após triagem de títulos, resumos e textos completos. Resultados: A revisão evidenciou que a obesidade apresenta etiologia multifatorial, envolvendo fatores genéticos, metabólicos, hormonais, comportamentais, ambientais e sociais. Destacaram-se como principais determinantes o consumo elevado de alimentos ultraprocessados, a redução da prática de atividade física, a privação do sono, alterações da microbiota intestinal e as desigualdades socioeconômicas. Observou-se associação com aumento da incidência de doenças crônicas, redução da qualidade de vida e elevação dos custos assistenciais. Discussão: Os achados reforçam que a obesidade constitui um importante desafio para o Sistema Único de Saúde, exigindo estratégias integradas de prevenção e controle. A literatura demonstra que políticas públicas voltadas à promoção da alimentação saudável, ao incentivo à atividade física, à rotulagem nutricional, à educação em saúde e ao fortalecimento da Atenção Primária apresentam potencial para reduzir a prevalência da doença e minimizar seus impactos sobre a saúde da população. Conclusão: A obesidade constitui um problema multifatorial que exige ações intersetoriais voltadas à promoção da saúde, prevenção dos fatores de risco e fortalecimento das políticas públicas. A integração entre vigilância em saúde, educação alimentar, incentivo à prática de atividade física e redução das desigualdades sociais mostra-se essencial para conter seu avanço e minimizar seus impactos sobre a saúde da população brasileira.

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