PE-51 Potencial farmacêutico do Canabidiol no manejo da neuroregeneração e do estresse oxidativo em lesões teciduais: Revisão sistemática

Keywords

Canabidiol; Estresse Oxidativo; Farmacologia regenerativa; Neuroproteção; Sistema endocanabinoide

How to Cite

Gomes, K. F. O. A., Matos, C. D., Alves, L. F. D. F., Santos, M. J. de J., de Mello, G. H. K., & dos Anjos, I. D. (2026). PE-51 Potencial farmacêutico do Canabidiol no manejo da neuroregeneração e do estresse oxidativo em lesões teciduais: Revisão sistemática. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 11(s.5). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00652

Abstract

Introdução: O sistema endocanabinoide tem deixado de ser visto apenas como um modulador sináptico clássico para assumir o protagonismo como um complexo sistema de homeostase tecidual e reparo celular. Na fronteira da farmacologia translacional, o aproveitamento do potencial farmacêutico dos fitocanabinoides, com ênfase no canabidiol (CBD) e em fitocomplexos menores, tem alcançado ótimos resultados na via analgésica, em frentes inovadoras como a neuroregeneração axonal, o combate ao estresse oxidativo mitocondrial e a modulação da cicatrização tecidual profunda. O objetivo deste estudo é explorar o potencial farmacêutico inovador dos canabinoides fora do eixo tradicional da dor, focando em suas propriedades neuroprotetoras, antioxidantes e na bioengenharia do reparo de tecidos. Material e Método: O estudo foi conduzido em conformidade com as diretrizes metodológicas do PRISMA. A pergunta norteadora utilizou a estratégia PICO para definir a população de interesse, intervenção com canabidiol, ausência de restrição comparativa direta e desfechos voltados à neuroproteção, mitigação do estresse oxidativo e reparo tecidual. Realizou-se uma busca sistemática nas bases PubMed/MEDLINE, Scopus e Web of Science, empregando os descritores: ("cannabinoids" OR "cannabidiol") AND ("neuroregeneration" OR "nerve regeneration") AND ("oxidative stress" OR "mitochondrial pathway") AND ("wound healing pharmacotherapy" OR "tissue repair"). Os critérios de elegibilidade incluíram estudos pré-clínicos originais e ensaios de biologia molecular publicados entre janeiro de 2021 e julho de 2026, nos idiomas inglês e português. Foram excluídos trabalhos focados exclusivamente na paliação analgésica convencional, estudos duplicados e publicações sem relevância metodológica direta para os desfechos regenerativos. A triagem inicial, a remoção de duplicatas, a leitura de títulos e resumos, e a seleção final dos artigos foram conduzidas por dois revisores independentes para assegurar o rigor na análise. Resultados: A estratégia de busca inicial identificou no total 214 registros nas bases de dados selecionadas. Após a remoção de duplicatas e a aplicação rigorosa dos critérios de elegibilidade durante as fases de triagem e leitura de texto completo, 11 estudos principais que compuseram a síntese final. Discussão : A literatura contemporânea analisada revela que o canabidiol atua como um potente antioxidante endógeno, superando em eficácia laboratorial muitas vitaminas clássicas, devido à sua capacidade de neutralizar espécies reativas de oxigênio (EROs) diretamente na membrana mitocondrial e modular a via de transcrição Nrf2/HO-1. Em modelos experimentais de lesão nervosa periférica e estresse oxidativo celular, o CBD demonstrou estimular a secreção de fatores neurotróficos derivados do cérebro (BDNF) e promover a regeneração de axônios lesados. Além disso, investigações farmacotécnicas recentes destacam a eficácia de hidrogéis bioativos carreadores de canabinoides na aceleração da cicatrização de feridas complexas, modulando a transição de macrófagos pró-inflamatórios (M1) para o fenótipo reparador (M2) e estimulando a proliferação de fibroblastos. Tais achados consolidados reposicionam os canabinoides como agentes farmacêuticos multifuncionais de alto valor biológico na medicina regenerativa. Conclusão: Conclui-se que o potencial dos canabinoides vai além da analgesia, destacando-se na neuroproteção e no reparo tecidual. Assim, novas formulações farmacotécnicas devem ser desenvolvidas e analisadas para sua consolidação terapêutica.

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00652
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