Abstract
Introdução: A ampliação do acesso aos medicamentos é um dos principais pilares da Assistência Farmacêutica no Sistema Único de Saúde (SUS); entretanto, esse acesso deve estar associado à qualidade da dispensação e ao uso racional de medicamentos. Este relato tem como objetivo compartilhar a experiência de reorganização da Assistência Farmacêutica em um município do sul do Espírito Santo, destacando os desafios, estratégias adotadas e aprendizados relacionados ao fortalecimento da atuação do farmacêutico na Atenção Primária à Saúde. Material e Método: O relato baseia-se na experiência vivenciada durante a atuação na Gerência de Assistência Farmacêutica do município. No período, a gestão municipal priorizou a reabertura gradual das farmácias das unidades de saúde para ampliar o acesso da população aos medicamentos. Entretanto, essa expansão ocorreu sem número suficiente de farmacêuticos, mantendo grande parte das unidades sob responsabilidade de atendentes. Diante desse cenário, foram realizadas auditorias nas farmácias comunitárias para identificar fragilidades nos processos de trabalho, além da padronização de procedimentos, reorganização dos fluxos de dispensação e apresentação de evidências técnicas aos gestores, demonstrando os impactos da ausência do farmacêutico sobre a qualidade da assistência. Resultados: As auditorias realizadas nas farmácias comunitárias evidenciaram falhas no controle de estoque, monitoramento de validade, organização dos serviços, padronização da dispensação e orientação aos usuários, revelando fragilidades que comprometiam a qualidade da assistência farmacêutica e a segurança da farmacoterapia. Os achados subsidiaram a reorganização dos processos de trabalho, a implantação de procedimentos padronizados e contribuíram para a ampliação gradual da inserção de farmacêuticos nas unidades de saúde. Discussão : Os resultados demonstraram que a ampliação do acesso aos medicamentos, quando desvinculada da atuação do farmacêutico, não assegura a qualidade da assistência farmacêutica. A utilização de auditorias e evidências técnicas mostrou-se uma estratégia eficaz para sensibilizar a gestão quanto ao papel estratégico desse profissional na Atenção Primária à Saúde. Como principal limitação da experiência, destaca-se a ausência de indicadores quantitativos que permitissem mensurar o impacto das intervenções implementadas. Conclusão: A experiência demonstrou que o fortalecimento da Assistência Farmacêutica depende da integração entre acesso aos medicamentos e qualificação dos serviços. A utilização de auditorias e evidências técnicas mostrou-se uma estratégia efetiva para subsidiar decisões de gestão e ampliar o reconhecimento da atuação do farmacêutico na Atenção Primária à Saúde. Relatos dessa natureza podem contribuir para orientar gestores de outros municípios na implementação de ações voltadas ao uso racional de medicamentos e à segurança do paciente.

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