Abstract
Introdução: A polifarmácia decorrente do envelhecimento populacional e da elevada prevalência de doenças crônicas, aumenta o risco de interações medicamentosas e desfechos negativos relacionados à farmacoterapia em idosos (BRASIL, 2023; MULLER, 2025). Objetivo: Descrever os resultados preliminares da ocorrência e do perfil das interações medicamentosas em idosos residentes no município de Alegre, ES, bem como caracterizar o perfil sociodemográfico, clínico e farmacoterapêutico dessa população. Material e Método: Trata-se de um estudo observacional, transversal, recorte de um inquérito domiciliar de base populacional realizado entre novembro e dezembro de 2021 no município de Alegre, ES. Foram incluídos indivíduos (≥60 anos) participantes do estudo original mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. As informações extraídas foram analisadas individualmente quanto à ocorrência de interações medicamentosas, utilizando ferramenta eletrônica Micromedex, e posteriomente classificadas conforme a gravidade e relevância clínica. Realizou-se análise descritiva das variáveis sociodemográficas, clínicas e farmacoterapêuticas, além de testes de associação entre as variáveis investigadas. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Espírito Santo (Parecer nº 4.732.878). Resultados: Participaram do estudo 299 idosos, dos quais 280 utilizavam medicamentos e foram incluídos na análise. Entre esses participantes, 148 (52,9%) apresentaram pelo menos uma interação medicamentosa potencial. Houve predominância do sexo feminino (66,6%), mediana de idade de 70,8 anos, elevada frequência de multimorbidade (78,6%) e polifarmácia (86,0%). As interações medicamentosas potenciais mais frequentes envolveram as associações metformina + glibenclamida, hidroclorotiazida + dipirona e metformina + ácido acetilsalicílico. Entre as interações classificadas como moderadas, destacaram-se losartana + dipirona, metformina + hidroclorotiazida e enalapril + dipirona. Os medicamentos envolvidos pertenciam, principalmente, aos grupos do sistema cardiovascular, trato alimentar e metabolismo e sistema nervoso. Discussão : A elevada frequência de interações medicamentosas potenciais observada demonstra importante exposição dos idosos a riscos relacionados à farmacoterapia, especialmente em um contexto marcado por multimorbidade e polifarmácia. A predominância de medicamentos dos sistemas cardiovascular, metabólico e nervoso entre as associações identificadas pode estar relacionada à elevada ocorrência de doenças crônicas nessa população e ao uso concomitante de múltiplos tratamentos. Como ponto forte, destaca-se o delineamento de base populacional, que amplia a representatividade dos achados para idosos residentes na comunidade. Entre as limitações, o delineamento transversal impossibilita estabelecer relações de causalidade, enquanto a identificação das interações por ferramenta eletrônica indica risco potencial, mas não confirma a ocorrência de repercussões clínicas. Conclusão: Os resultados preliminares evidenciaram que 52,9% dos idosos usuários de medicamentos apresentaram pelo menos uma interação medicamentosa, indicando elevada exposição aos riscos relacionados à farmacoterapia. O estudo contribui para o conhecimento sobre o perfil dessas interações em idosos e reforça a importância do monitoramento da farmacoterapia e da atuação clínica do farmacêutico na APS. Futuras pesquisas devem investigar os fatores associados à ocorrência dessas interações e seus desfechos clínicos.

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