Abstract
Introdução: O manejo da dor orofacial frequentemente esbarra nos efeitos adversos e na eficácia limitada dos analgésicos convencionais, impulsionando a busca por novos agentes terapêuticos. Nesse cenário, compostos naturais com perfil mecanístico bem definido, como a 4-hidroxicumarina e a naringenina, vêm se destacando em pesquisas translacionais. Tais fitoquímicos apresentam expressiva atividade anti-inflamatória e antinociceptiva, despontando como moduladores promissores das vias de sinalização celular na nocicepção trigeminal. O objetivo deste estudo é avaliar, por meio de uma revisão sistematizada, a eficácia antinociceptiva e os mecanismos de ação biológica da 4-hidroxicumarina e da naringenina em modelos experimentais de dor orofacial. Material e Método: O estudo seguiu as diretrizes PRISMA, utilizando a estratégia PICO para definir modelos murinos como população, a administração de 4-hidroxicumarina e naringenina como intervenção, ausência de comparador restritivo e desfechos de antinocicepção, modulação inflamatória e estresse oxidativo. Realizou-se busca nas bases PubMed, Scopus e Web of Science com os descritores: “4-hydroxycoumarin”, “naringenin”, “orofacial pain” e “experimental models”. Os critérios de inclusão contemplaram artigos originais in vivo (especialmente linhagem C57BL/6) até junho de 2026. Excluíram-se revisões narrativas e estudos in vitro sem correlação comportamental. O processo de triagem inicial, remoção de duplicatas, leitura de títulos/resumos e seleção final foi conduzido por dois revisores independentes. Resultados: A busca identificou 232 registros; após a remoção de duplicatas e triagem por títulos e resumos, 96 artigos foram selecionados para leitura integral, resultando em 21 estudos incluídos na síntese qualitativa final. Dispensou-se Comitê de Ética por se tratar de dados secundários. Discussão : A análise da literatura real confirma a eficácia antinociceptiva e anti-inflamatória desses compostos naturais em modelos experimentais murinos. A naringenina demonstrou suprimir a neuroinflamação de forma robusta ao inibir a ativação do fator nuclear kappa B (NF-κB) e reduzir a secreção de citocinas pró-inflamatórias (como TNF-α e IL-1β). Adicionalmente, estudos comprovam que esse flavonoide modula o estresse oxidativo ativando a via Nrf2/HO-1, o que resulta na atenuação direta da hiperalgesia mecânica e térmica. Paralelamente, a 4-hidroxicumarina e seus derivados exibem potente capacidade de interferir nas cascatas inflamatórias primárias, inibindo as vias da ciclooxigenase (COX) e lipoxigenase (LOX), reduzindo assim a liberação de mediadores algogênicos (como prostaglandinas) e o comportamento nociceptivo no território do nervo trigêmeo. A pesquisa mecanística recente enfatiza a importância da plasticidade celular no gânglio trigeminal e a interação desses compostos com canais nociceptivos, como os da família TRP. Os estudos evidenciam que ambos os fitoquímicos não apenas mascaram a dor, mas promovem a resolução ativa do microambiente inflamatório tecidual. Conclusão: A 4-hidroxicumarina e a naringenina apresentam um perfil farmacológico robusto em modelos pré-clínicos, atuando em eixos mecanísticos chave da modulação inflamatória e nociceptiva orofacial. O aprofundamento das investigações toxicológicas e o desenvolvimento de sistemas de liberação direcionada (como biopolímeros tópicos) são etapas cruciais para a futura translação clínica desses compostos na Odontologia.

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