Abstract
Introdução: O 17α-etinilestradiol (EE2) é um desregulador endócrino persistente em matrizes aquosas, capaz de causar impactos ambientais e em humanos mesmo em baixas concentrações. Este estudo teve como objetivo desenvolver uma metodologia utilizando membrana de poliuretano contendo lignina associada ao ultrassom para a remoção de EE2 em meio aquoso, avaliando a eficiência do sistema na remoção do contaminante. Material e Método: Este estudo avaliou a remoção de EE2 por membrana de poliuretano modificada com lignina (MB), com e sem intensificação por ultrassom (US) em 25 e 37 kHz, a 30 °C, em tempos de 15, 30, 45 e 60 min. A quantificação residual foi realizada por espectrofotometria UV-vis (190–300 nm), com aplicação de segunda derivada para contornar a sobreposição espectral entre lignina e EE2, utilizando cubeta de 1 cm. Resultados: A curva de calibração por segunda derivada (0–8 µg/L; n = 25) apresentou linearidade satisfatória (R² = 0,9957), com LOD de 0,64 µg/L e LOQ de 1,93 µg/L. As concentrações iniciais experimentais foram de aproximadamente 7,77 µg/L (37 kHz) e 5,34 µg/L (25 kHz). Em 37 kHz, o controle sem US não promoveu remoção efetiva, enquanto o US isolado removeu apenas 6–9% de EE2. A membrana isolada (MBEE2) elevou a remoção de 31,6 ± 4,5% (15 min) para 72,9 ± 1,1% (60 min). O processo combinado US+MB atingiu 69,8 ± 1,4% já aos 15 min e estabilizou em cerca de 70–72% até 60 min. ANOVA one-way e testes post hoc (Welch, Bonferroni) confirmaram diferença altamente significativa entre as modalidades (p < 0,001), sem diferença estatística entre MB e US+MB ao final de 60 min (p = 0,107). Em 25 kHz, o sistema US+MB removeu 64–68% de EE2; a frequência de 37 kHz foi superior nos tempos iniciais (p < 0,02 até 45 min), convergindo com 25 kHz aos 60 min. Discussão : A cinética da adsorção em MBEE2 (37 kHz) ajustou-se melhor ao modelo de pseudo-segunda ordem (R² = 0,95; k₂ = 6,3 × 10⁻³ L µg⁻¹ min⁻¹), compatível com adsorção em sítios da lignina (interações π–π e ligações de hidrogênio). O US atuou principalmente como intensificador de transferência de massa, antecipando o equilíbrio sem aumento significativo da capacidade final da membrana. Conclusão: Conclui-se que a membrana de poliuretano-lignina é eficaz na remoção de EE2 em condições brandas, e que a espectrofotometria de segunda derivada constitui ferramenta analítica simples e adequada para o acompanhamento do processo. Os resultados apoiam o potencial da abordagem para estudos de remediação de fármacos em água e fundamentam o aperfeiçoamento experimental em trabalhos futuros.

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Copyright (c) 2026 Marcela Santos Rocha, Bárbara Lima Sartorio, Ester Ramos Pancieri, Lucimara Ribeiro Venial, Carla Silva Meireles, Renato Rodrigues Neto, Maria Fátima Pereira Santos, Maristela Araujo Vicente

