PE-30 Fita reagente de urinálise na avaliação da recenticidade de estojos de arma de fogo: relato de experiência pericial

Keywords

Balística Forense;
Armas de Fogo;
Nitritos;
Fitas Reagentes;
Ciências Forenses.

How to Cite

Junior, O. J. da P. B. (2026). PE-30 Fita reagente de urinálise na avaliação da recenticidade de estojos de arma de fogo: relato de experiência pericial. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 11(s.5). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00631

Abstract

Introdução: A presença de estojos em locais de crime nem sempre guarda relação direta com o fato, tornando a estimativa da recenticidade do disparo crucial. Contudo, métodos tradicionais, focados em metais da espoleta, apresentam limitações diante de munições não tóxicas (NTA). Este relato descreve a aplicação exploratória de fitas de urinálise (detecção de nitrito) em estojos deflagrados, avaliando sua aplicabilidade operacional, padrões temporais de resposta colorimétrica e limitações periciais. Material e Método: A experiência pericial ocorreu em clube de tiro, durante treinamento institucional de peritos criminais, sem coleta de material biológico. Foram analisados estojos calibres .40 S&W, 9 mm Luger (convencionais e NTA) e .22 (convencional), em triplicata, por combinação de calibre, tipo de munição e intervalo temporal (0 a 168 horas; até 336 horas para o .22), acondicionados em bases plásticas em ambiente aberto. Friccionou-se um suabe de algodão umedecido com água destilada na superfície interna do estojo, aplicando-o no campo de nitrito da fita de urinálise para verificação qualitativa de reação colorimétrica rosada. Controles negativos (água destilada e suabe) foram realizados em cada etapa. Resultados: Todos os estojos apresentaram resposta colorimétrica positiva no campo de nitrito imediatamente após o disparo. No calibre .40 S&W (convencional e NTA), a positividade manteve-se em todas as amostras até 144 horas, reduzindo-se após 168 horas. No calibre 9 mm Luger, a reação colorimétrica permaneceu constante até 96 horas, tornando-se parcial em 120 horas e totalmente negativa em 144 horas. No calibre .22, a resposta manteve-se positiva em todo o período observado de 336 horas. Controles negativos mantiveram-se negativos em todas as etapas. Discussão : A persistência prolongada no calibre .22 pode estar relacionada a características geométricas do estojo que reduzem a circulação de ar. Como o armazenamento ocorreu em ambiente aberto, os padrões guardam maior relação com condições reais de campo. No entanto, limitações incluem a leitura visual essencialmente subjetiva e o número reduzido de amostras testadas. Conclusão: A fita reagente de urinálise mostrou-se uma ferramenta exploratória promissora para triagem em estojos deflagrados, mas os resultados não permitem estimar de forma conclusiva o tempo decorrido desde o disparo. Recomenda-se estudo de validação analítica com maior amostragem, controles adicionais, padronização da leitura instrumental e comparação com métodos confirmatórios. A experiência reforça o potencial da integração entre análises clínicas e perícia criminal na proposição de alternativas periciais acessíveis.

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00631
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