Abstract
Introdução: O sono é essencial para a homeostase e regulação das funções biológicas. Entre estudantes de licenciatura, a conciliação de atividades acadêmicas noturnas com trabalho e outras demandas favorece a ocorrência de sono insuficiente e de má qualidade. Nesse contexto, alguns recorrem ao uso de fármacos indutores do sono. O objetivo do estudo foi analisar a prevalência do uso de fármacos indutores do sono por estudantes dos cursos de licenciatura de uma universidade no norte do Espírito Santo. Material e Método: Estudo quantitativo, descritivo e transversal, realizado com 216 acadêmicos dos cursos de licenciatura em Pedagogia, Ciências Biológicas, Matemática, Física e Química. Os dados foram coletados por questionário on-line, acessado via QR Code, contendo questões socioeconômicas, demográficas e sobre o uso de fármacos indutores do sono. Foram incluídos estudantes que aceitaram participar mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, sendo excluídos questionários incompletos. A análise dos dados foi conduzida no software Stata 17.0. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, parecer nº 7.681.836. Resultados: Observou-se predominância de participantes do sexo feminino (65,28%; n = 141), com faixa etária de 18 a 21 anos (51,85%; n = 112), raça/cor parda (47,22%; n = 102) e renda familiar de até 1 salário mínimo (41,67%; n = 90). Mais da metade dos estudantes exercia trabalho remunerado (60,65%; n = 131). Entre os participantes, 32,41% (n = 70) associaram a má qualidade do sono às atividades acadêmicas e 30,56% (n = 66) às demandas pessoais. Dos estudantes com diagnóstico de transtorno do sono (3,70%; n = 8), 50% (n = 4) relataram ter ansiedade. Verificou-se o uso de fármacos indutores do sono por 11,11% (n = 24) dos participantes, sendo a melatonina a mais utilizada (34,62%; n = 9), seguida da quetiapina (11,54%; n = 3) e da trazodona (7,69%; n = 2). Entre os usuários desses medicamentos, 83,33% (n = 15) relataram utilização mediante prescrição médica. Discussão : Os achados sugerem que a conciliação entre atividades acadêmicas, trabalho e demandas pessoais pode estar relacionada à pior qualidade do sono entre estudantes de licenciatura. Embora a prevalência do uso de fármacos indutores do sono tenha sido baixa, predominou o uso mediante prescrição médica. O delineamento transversal e a coleta de informações autorreferidas constituem limitações do estudo. Como ponto forte, destaca-se a inclusão de estudantes de diferentes cursos de licenciatura. Conclusão: Os achados reforçam a importância de ações para promoção da qualidade do sono e uso racional de medicamentos entre universitários.

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