Abstract
Introdução (com objetivo): As farmácias comerciais têm conquistado um papel cada vez mais relevante na sociedade, contribuindo para a promoção da saúde por meio da implementação de serviços farmacêuticos clínicos (Andrade; Baiense, 2023). Entretanto, a prática da assistência farmacêutica (AF) tem implicações tanto para a formação de novos profissionais quanto para aqueles que já estão no mercado, de acordo com a literatura (Dias; Fonseca, 2015). No contexto da prática farmacêutica, ficam evidentes a necessidade e a importância de se explorar a educação permanente para os profissionais farmacêuticos atuantes em farmácias comerciais. O intuito é fortalecer essa importante ferramenta para a formação, bem como incentivar sua utilização no cotidiano dos serviços e do ensino. Diante de tal lacuna na literatura, o objetivo deste estudo foi explorar e discutir as contribuições da educação permanente para a prática dos serviços farmacêuticos em farmácias comerciais a partir do ensaio teórico e das percepções dos profissionais. Método: Realizou-se uma pesquisa descritiva exploratória de caráter qualitativo, no primeiro semestre de 2024. A pesquisa contou com a participação de dez farmacêuticos, que exercem suas atividades em farmácias comerciais de uma capital do sul do Brasil. Foi desenvolvido em duas etapas: 1. Ensaio teórico; 2. Oficina dialogada utilizando o Google Meet e o questionário do tipo escala Likert para coleta dos dados. A técnica de Análise de Conteúdo proposta por Bardin (2004) foi empregada para examinar os dados. A pesquisa original respeitou as orientações da Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde e recebeu a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, sob o número CAAE: 74563823200005345. Resultados: O estudo foi organizado em duas categorias analíticas: "sistematização do ensaio teórico" e "percepções profissionais: um enfoque na educação permanente". A categoria "sistematização do ensaio teórico" abrange documentos científicos nacionais e internacionais, documentos legais, manuais do Ministério da Saúde do Brasil e livros sobre a temática, com base em uma busca iterativa da literatura disponível nos últimos 20 anos. Outrossim, foi possível verificar uma lacuna acerca da prática da educação permanente para os profissionais nestes estabelecimentos. Este contexto vem ao encontro das informações que foram levantadas na categoria “percepções profissionais: um enfoque na educação permanente”. Os participantes foram indagados sobre a busca por cursos relacionados à prática da AF, como educação continuada, especialização, extensão e capacitação profissional para farmácias e drogarias. Oito deles disseram que não, enquanto apenas dois afirmaram que sim. Nesta mesma linha, os dez farmacêuticos concordaram em responder negativamente à pergunta sobre a existência de processos de formação em serviço ou capacitação contínua ofertados pelo estabelecimento. Conclusão: A complexidade da temática em questão surge do fato de que ela abrange dois domínios do conhecimento: saúde e educação, cada um com suas próprias vertentes e paradigmas. Além disso, o estudo trouxe percepções valiosas dos profissionais farmacêuticos sobre o desafio da atuação farmacêutica em farmácias comerciais, em especial a falta da educação permanente para qualificar os serviços. Espera-se que este estudo contribua para o ensino e a qualificação da assistência farmacêutica, tanto na academia quanto na prática dos serviços farmacêuticos.

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