Abstract
Introdução (com objetivo): As Doenças Tropicais Negligenciadas (DTN) afetam principalmente populações vulneráveis, com alta prevalência em países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, onde doenças como hanseníase, leishmanioses e doença de Chagas representam importante problema de saúde pública. Na população pediátrica, a exposição precoce a condições ambientais desfavoráveis aumenta a incidência de infecções como malária e doença de Chagas, elevando a morbidade e a demanda por serviços de saúde. Nesse cenário, a Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) é essencial para orientar a adoção de intervenções eficazes e acessíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), contribuindo para a redução da carga dessas doenças e a melhoria da qualidade de vida infantil. Mapear as recomendações de tecnologias sobre DTN para a população pediátrica disponíveis no Sistema Único de Saúde. Material e Método: Trata-se de uma análise documental, descritiva e retrospectiva dos relatórios de recomendação referentes a medicamentos, produtos e procedimentos de DTN em crianças e adolescentes, publicados no sítio eletrônico da Conitec entre 2015 e janeiro de 2026. A identificação e seleção dos relatórios foi realizada em abril por um pesquisador, sendo posteriormente revisada por um segundo pesquisador. Os dados foram extraídos dos relatórios de recomendação disponíveis em planilha de Excel.O protocolo foi publicado no Open Science Framework (doi: 10.17605/OSF.IO/2XPQ5). Resultados: Durante o período analisado foram identificadas 23 tecnologias, das quais 16 (69,57%) são medicamentos, 6 (26,09%) procedimentos e 1 (4,35%) equipamento. Destas, 17 tecnologias (73,91%) tiveram a decisão final de incorporação no SUS, enquanto 5 (21,73%) receberam a decisão de ampliação de uso. Apenas 1 tecnologia (4,35%) foi excluída após a análise. A maioria das tecnologias (95,6%) foi destinada à população pediátrica em conjunto com a população em geral, com exceção de uma tecnologia que é exclusiva para crianças menores de 10 anos. Quanto ao demandante dessas tecnologias, a grande parte (91,3%) foi originada de departamentos ou secretarias do Ministério da Saúde, enquanto 1 tecnologia (4,35%) teve origem na indústria farmacêutica e outra (4,35%) foi demandada por sociedade médica. As doenças mais tratadas pelas tecnologias avaliadas foram a hanseníase, a tuberculose e a malária, que são algumas das principais doenças tropicais negligenciadas que afetam a população brasileira. Em relação à síntese de evidências, apenas 12 relatórios (52,17%) relataram análise de risco de viés ou avaliação da certeza da evidência pela metodologia GRADE. No que se refere à avaliação econômica em saúde (AES), 14 relatórios (60,87%) realizaram algum tipo de análise econômica. Desses, sendo a Análise de Custo-Efetividade a mais prevalente (10 relatórios, 71,43%). Conclusões: A análise mostra um avanço na incorporação de tecnologias eficazes no SUS para o tratamento de doenças tropicais negligenciadas. A maioria das tecnologias foi demandada pelo Ministério da Saúde, destacando a prioridade governamental no acesso ao tratamento. Essas ações têm o potencial de melhorar a saúde infantil, especialmente em populações vulneráveis. Assim, busca-se reduzir a carga dessas doenças e promover um atendimento mais acessível.

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