PE-084 Desigualdades regionais e fragilidades na gestão da Assistência Farmacêutica no SUS: evidências de um estudo multicêntrico na Paraíba

Palavras-chave

Assistência farmacêutica;
Gestão em saúde;
Recursos Humanos em Saúde;
Sistema Único de Saúde.

Como Citar

Diniz, A. F. A., Beltrão, D. M., da Silva, B. P., Ribeiro, V. S., de Lima, W. G. L., Moreno, G. T. A., Isidro, J. V. N., & Faheina, W. B. B. (2026). PE-084 Desigualdades regionais e fragilidades na gestão da Assistência Farmacêutica no SUS: evidências de um estudo multicêntrico na Paraíba. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 11(s.4). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00574

Resumo

Introdução (com objetivo): A Assistência Farmacêutica (AF) constitui um componente estruturante do Sistema Único de Saúde (SUS), essencial para garantir acesso, qualidade e uso racional de medicamentos (1,2). Em sistemas descentralizados, sua efetividade depende da capacidade de gestão local, da qualificação da força de trabalho e da articulação entre os níveis de atenção (3). Nesse contexto, desigualdades regionais e fragilidades estruturais podem comprometer a equidade e a integralidade do cuidado. Avaliar o nível de desenvolvimento da AF na Paraíba, comparando macrorregiões e categorias profissionais, além de analisar a interdependência entre seus domínios. Material e Método: Estudo transversal, quantitativo, com 293 profissionais da AF em diferentes níveis do SUS. Utilizou-se instrumento baseado no IAPAF (4), contemplando oito domínios. Foram realizadas análises descritivas e inferenciais, com testes de Kruskal-Wallis e Mann-Whitney, além de correlação de Spearman (p<0,05). A amostragem foi obtida por snowball sampling (5). Comitê de ética (78053224.00000.5188). Resultados: Evidenciou-se heterogeneidade no desenvolvimento da AF entre as macrorregiões. Diferenças significativas foram observadas nos domínios “Seleção de Medicamentos” (p=0,007) e “Recursos Humanos” (p=0,004), com melhores desempenhos na macrorregião mais próxima à capital. Entre as categorias profissionais, destacaram-se diferenças nos domínios “Gestão” (p<0,001) e “Recursos Humanos” (p=0,030), com maiores escores entre profissionais em funções gerenciais. A análise de correlação indicou associações moderadas entre gestão, seleção e programação, bem como entre prescrição, dispensação e farmacovigilância, evidenciando a interdependência dos componentes da AF. Conclusões: A Assistência Farmacêutica na Paraíba apresenta desenvolvimento heterogêneo, marcado por fragilidades estruturais e assimetrias na qualificação da força de trabalho, refletindo desafios inerentes à organização de sistemas descentralizados de saúde. O fortalecimento da gestão e a qualificação dos recursos humanos configuram-se como estratégias centrais para a promoção da equidade e da integralidade no SUS. Destaca-se o apoio institucional promovido pelo Estado como iniciativa estruturante, ao estimular processos de qualificação, integração e governança nos territórios. Assim, reforça-se o papel da educação permanente e do apoio institucional como dispositivos estratégicos para a transformação dos processos de trabalho e para o fortalecimento da capacidade de resposta do SUS frente às demandas em saúde.

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00574
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