Abstract
Introdução (com objetivo): O câncer de mama metastático (CMM) representa um desafio crescente no sistema de saúde brasileiro, com alta morbimortalidade e impacto econômico significativo ao SUS. O pertuzumabe, anticorpo monoclonal anti-HER2, foi incorporado ao SUS pela CONITEC em 2019 para tumores HER2-positivos, ampliando o arsenal terapêutico disponível. Diante dos elevados custos de incorporação, análises de custo-efetividade baseadas em dados de mundo real — como os provenientes do DATASUS — tornam-se essenciais para avaliar a eficiência alocativa e subsidiar decisões racionais de financiamento em oncologia. O Objetivo do trabalho foi construir uma avaliação de custo-efetividade do Pertuzumabe para câncer de mama metastático Her2 positivo, utilizando a base de dados do sistema público de saúde brasileiro. Material e Método: Foram levantados registros de procedimentos de pacientes com câncer de mama que fizeram duplo bloqueio HER2 e através de record linkage definiu-se a jornada completa de cada paciente. Além disso, extraiu-se custo de quimioterapia, radioterapia, hospitalização, atendimentos e exames, de cada paciente mês a mês, durante o tempo em que o paciente permanece na base de dados. Foram extraídos dados de óbito, a fim de diferenciar os pacientes com censura e os que morreram. Uma microssimulação com dados individuais desses pacientes foi construída para estimar um custo médio e o tempo de vida ao longo de cada trajetória de tratamento. Pacientes que foram censurados, tiveram sua sobrevida calculada baseado na sobrevida geral da população de acordo com a sua idade. Os pacientes foram filtrados por local de atendimento, estadiamento no diagnóstico e presença de tratamento anterior para se verificar a heterogeneidade da razão de custo-efetividade incremental entre esses grupos Resultados: Foram encontrados, um total de 4,570 pacientes, com idade inicial média de 54 anos. O horizonte temporal no modelo foi de 73 anos, e o tempo médio de tratamento antes da censura ou óbito foi de 20 meses. Pacientes que utilizaram Pertuzumabe viveram em média 1.55 anos a mais e custaram em média U$24,512.29 a mais. Utilizando preços de valores do compras públicas, (U$1.023,50/frasco) o Pertuzumabe teve um ICER de U$15,483.09/ano de vida salvo. Esse valor é menor que o limiar de custo-efetividade de U$19,090.90/ano de vida salvo. Foram construídas análises de subgrupos onde se observou que em algumas regiões do país o uso do PErtuzumabe se mostrou dominante em relação a quimioterapia e em outras ele foi dominado. Ele se mostrou com ICER favorável em pacientes de faixa etária menor, mas não mostrou diferença em termos de ICER se os pacientes tinham ou não realizado tratamento anterior. Discussão: Os resultados demonstram que o pertuzumabe é custo-efetivo no SUS, com ICER de US$15.483,09/ano de vida salvo — abaixo do limiar brasileiro de US$19.090,90 —, confirmando a eficiência real da incorporação realizada pela CONITEC. Trata-se, até onde se sabe, do primeiro estudo de custo-efetividade do pertuzumabe conduzido integralmente com dados de mundo real provenientes do DATASUS, conferindo validade externa e representatividade populacional inéditas à análise. A metodologia empregada pode ser replicada para outros medicamentos incorporados e pode embasas acordos de compartilhamento de risco. Conclusão: O trabalho mostrou a possibilidade de explorar a base de dados do sistema de saúde através de microssimulação com dados individuais, para a construção de modelos econômicos de apoio a decisão sobre incorporação de tecnologias.

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