Resumo
Introdução: O uso concomitante de medicamentos alopáticos e fitoterápicos é comum entre a população, muitas vezes sem o devido acompanhamento profissional. A atuação do farmacêutico nesse contexto é essencial para garantir o uso racional e seguro dessas terapias combinadas. A fitoterapia, quando bem orientada, pode complementar o tratamento farmacológico convencional, mas também pode resultar em interações indesejadas e efeitos colaterais. Dessa forma, a análise crítica e individualizada das práticas de uso de plantas medicinais, bem como a identificação de interações medicamentosas, são fundamentais para uma abordagem terapêutica segura e eficaz. Objetivo: Analisar possíveis interações entre medicamentos e plantas medicinais utilizadas por uma paciente, por meio de uma disciplina extensionista, a fim de promover o uso racional e seguro da fitoterapia, realizando uma prescrição farmacêutica baseada em evidências científicas. Métodos: Trata-se de um estudo qualitativo, de caráter clínico e interventivo, realizado por meio de encontros presenciais com uma paciente. Inicialmente, foi aplicada uma anamnese farmacêutica estruturada, contemplando dados sociodemográficos, histórico de saúde, uso de medicamentos (com e sem prescrição) e de plantas medicinais. A partir dessas informações, foi elaborado um diagnóstico farmacoterapêutico, com identificação de possíveis interações medicamentosas. Com base nas queixas relatadas e em evidências científicas, foi realizada uma prescrição farmacêutica de fitoterápicos. Posteriormente, ocorreu a devolutiva com entrega de uma caderneta personalizada contendo orientações terapêuticas. Após um período de uso, foi realizada nova consulta para avaliação clínica dos efeitos da intervenção e necessidade de ajustes no plano terapêutico. Resultados: Observaram-se interações entre medicamentos contínuos da paciente, como levotiroxina, naratriptana, escopolamina, e rosuvastatina + ezetimiba, com algumas plantas medicinais utilizadas, sendo elas a Melissa officinalis e Matricaria recutita (camomila). Após análise em base de dados científicos verificando possíveis interações com os medicamentos utilizados pela paciente, foi indicado a utilização de Passiflora incarnata (maracujá), com ação ansiolítica, sedativa e calmante e Hibiscus sabdariffa (hibisco), com propriedades antioxidantes, diuréticas e redutores de lipídios, no lugar das plantas medicinais que ela fazia uso. A paciente demonstrou receptividade nas recomendações e melhorias subjetivas, especialmente relacionadas ao uso do hibisco. A orientação para evitar o uso de melissa, por sua potencial interação com hormônios tireoidianos, também foi seguida. O acompanhamento farmacêutico demonstrou a importância do cuidado continuado e individualizado. Conclusão: O estudo evidencia a importância da atuação farmacêutica na identificação de interações medicamentosas e na prescrição de fitoterápicos, com base nas necessidades individuais do paciente. A abordagem extensionista, por meio de atendimentos instruídos e educativos, proporcionou maior compreensão da paciente sobre o uso adequado das plantas medicinais e medicamentos. Conclui-se que a integração entre conhecimento científico e prática clínica é essencial para promover o uso seguro e eficaz da fitoterapia, reforçando o papel do farmacêutico como agente promotor de saúde.

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