PE-58 Violência no trabalho em saúde: a experiência com o varal e o baralho interativo
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Palavras-chave

Saúde Mental
Violência no Trabalho

Como Citar

Camata de Almeida, C., da Paixão Pereira, J. F., Andrade Peixoto, L., Rodrigues Serafim, T. Y., Leão, A., Abreu Xavier, D., da Costa Brito, I. C., & Belotti , M. (2025). PE-58 Violência no trabalho em saúde: a experiência com o varal e o baralho interativo. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 10(s1). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2025.v10.e00233

Resumo

Relato de experiência: A violência no ambiente de trabalho é um desafio crítico no setor da saúde, manifestando-se por agressões físicas e verbais, assédio e violência institucional. A exposição contínua a essas situações pode desencadear estresse crônico, ansiedade, depressão e impactos na saúde física.1,3,4 Diante desse cenário e alinhado à 11a edição do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde), que busca promover a saúde mental dos trabalhadores da Atenção Básica, aborda-se nesse estudo as violências presentes no cotidiano profissional.2 Desse modo, o objetivo deste relato de experiência foi descrever e analisar as atividades “Baralho Interativo” e “Varal da Reflexão”, desenvolvidas pelo PET- Saúde com trabalhadores da Atenção Básica. As ações ocorreram em uma Unidade de Saúde da Família (USF) em Vitória, Espírito Santo. O Baralho Interativo usou cartas com imagens de violência no trabalho, como assédio moral, discriminação racial e violência física. Os trabalhadores retiravam cartas aleatórias, refletiam e compartilhavam suas percepções. Cartilhas informativas também foram distribuídas. O Varal da Reflexão expôs imagens sobre violência no trabalho em um corredor de grande circulação. Os participantes refletiam e relatavam suas percepções verbalmente. O varal ficou exposto por um mês e o baralho foi utilizado durante duas semanas, em 2024, por estudantes do PET-Saúde. O Baralho Interativo gerou discussões sobre capacitismo, transfobia e homofobia. Ao todo participaram 30 Profissionais da saúde, os quais relataram discriminação, microagressões e assédio moral, evidenciando a necessidade de suporte institucional. Relatos mencionaram cobranças excessivas, violência psicológica e desvalorização profissional, além de barreiras para denúncias devido ao medo de represálias. No Varal da Reflexão, os profissionais relataram agressões verbais, conflitos hierárquicos e sobrecarga emocional. A naturalização da violência foi um tema recorrente, indicando a ausência de canais eficazes de acolhimento. Muitos trabalhadores expressaram receio de abordar os gestores sobre essas questões, temendo retaliações ou falta de resposta. A troca de experiências fortaleceu a percepção coletiva sobre a importância da prevenção e da construção de um ambiente mais saudável. A criação de espaços de escuta revelou-se essencial para reduzir o isolamento emocional e fomentar práticas institucionais humanizadas. As atividades permitiram que os profissionais expressassem frustrações e desejos, promovendo acolhimento e empatia, além de reforçar a necessidade de estratégias contínuas para mitigar os impactos da violência no trabalho. Além disso, as atividades proporcionaram um espaço seguro de reflexão sobre a violência no trabalho, destacando a necessidade de ampliar estratégias de prevenção e suporte institucional. A iniciativa evidenciou a importância de fomentar ambientes mais acolhedores e humanizados.

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2025.v10.e00233
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