Abstract
Relato de experiência: A violência no ambiente de trabalho é um desafio crítico no setor da saúde, manifestando-se por agressões físicas e verbais, assédio e violência institucional. A exposição contínua a essas situações pode desencadear estresse crônico, ansiedade, depressão e impactos na saúde física.1,3,4 Diante desse cenário e alinhado à 11a edição do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde), que busca promover a saúde mental dos trabalhadores da Atenção Básica, aborda-se nesse estudo as violências presentes no cotidiano profissional.2 Desse modo, o objetivo deste relato de experiência foi descrever e analisar as atividades “Baralho Interativo” e “Varal da Reflexão”, desenvolvidas pelo PET- Saúde com trabalhadores da Atenção Básica. As ações ocorreram em uma Unidade de Saúde da Família (USF) em Vitória, Espírito Santo. O Baralho Interativo usou cartas com imagens de violência no trabalho, como assédio moral, discriminação racial e violência física. Os trabalhadores retiravam cartas aleatórias, refletiam e compartilhavam suas percepções. Cartilhas informativas também foram distribuídas. O Varal da Reflexão expôs imagens sobre violência no trabalho em um corredor de grande circulação. Os participantes refletiam e relatavam suas percepções verbalmente. O varal ficou exposto por um mês e o baralho foi utilizado durante duas semanas, em 2024, por estudantes do PET-Saúde. O Baralho Interativo gerou discussões sobre capacitismo, transfobia e homofobia. Ao todo participaram 30 Profissionais da saúde, os quais relataram discriminação, microagressões e assédio moral, evidenciando a necessidade de suporte institucional. Relatos mencionaram cobranças excessivas, violência psicológica e desvalorização profissional, além de barreiras para denúncias devido ao medo de represálias. No Varal da Reflexão, os profissionais relataram agressões verbais, conflitos hierárquicos e sobrecarga emocional. A naturalização da violência foi um tema recorrente, indicando a ausência de canais eficazes de acolhimento. Muitos trabalhadores expressaram receio de abordar os gestores sobre essas questões, temendo retaliações ou falta de resposta. A troca de experiências fortaleceu a percepção coletiva sobre a importância da prevenção e da construção de um ambiente mais saudável. A criação de espaços de escuta revelou-se essencial para reduzir o isolamento emocional e fomentar práticas institucionais humanizadas. As atividades permitiram que os profissionais expressassem frustrações e desejos, promovendo acolhimento e empatia, além de reforçar a necessidade de estratégias contínuas para mitigar os impactos da violência no trabalho. Além disso, as atividades proporcionaram um espaço seguro de reflexão sobre a violência no trabalho, destacando a necessidade de ampliar estratégias de prevenção e suporte institucional. A iniciativa evidenciou a importância de fomentar ambientes mais acolhedores e humanizados.

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