Abstract
Introdução: O uso racional de medicamentos (URM) é fundamental na educação em saúde da população idosa, que, devido a múltiplas comorbidades, utiliza diversos medicamentos. Isso eleva o risco de interações medicamentosas, reações adversas, baixa adesão e uso inadequado. Assim, promover o URM contribui significativamente para a saúde do idoso. Objetivo: A atividade teve o propósito de promover o uso racional de medicamentos entre idosos participantes de um grupo de convivência. Métodos: A ação ocorreu no Centro de Convivência da Terceira Idade de um município de pequeno porte no norte do Rio Grande do Sul, com a participação de 28 idosos. A atividade, com 90 minutos de duração, foi conduzida por profissionais de saúde do município de Mato Castelhano e pela equipe de residência multiprofissional em Urgência, Emergência e Intensivismo do Hospital de Clínicas de Passo Fundo, que atua na atenção primária local. Realizou-se um bingo educativo, substituindo os números das cartelas por palavras-chave relacionadas ao URM, como “horário”, “álcool”, “dosagem” e “interações medicamentosas”. A cada palavra sorteada, era feita uma breve explicação sobre o tema, abordando pontos como a importância do cumprimento dos horários prescritos, riscos de interações com álcool, alimentos e plantas medicinais, além de orientações sobre o uso correto dos medicamentos. Ao final, os participantes que completaram suas cartelas receberam brindes como forma de incentivo à participação e à adesão ao tratamento. A atividade esclareceu dúvidas dos idosos sobre o uso racional de medicamentos, utilizando uma abordagem prática e didática. Destacou-se a importância do cumprimento rigoroso dos horários de administração, especialmente em prescrições com uso duas vezes ao dia, reforçando a necessidade de manter intervalos regulares para evitar sub ou superdosagem. Também foram discutidas interações medicamentosas com alimentos, chás, ervas e álcool — aspectos muitas vezes desconhecidos pelos participantes. Resultados: Observou-se que a maioria desconhecia a influência desses fatores na eficácia e segurança dos tratamentos. Além disso, muitos relataram dificuldades na adesão devido à falta de compreensão das orientações médicas, evidenciando a importância da educação em saúde. O bingo educativo mostrou-se uma estratégia eficaz para promover o uso racional de medicamentos entre idosos. A ludicidade e a interação favoreceram o esclarecimento de dúvidas sobre adesão ao tratamento, interpretação de prescrições e prevenção de interações medicamentosas. Os resultados revelaram lacunas no conhecimento dos participantes, reforçando achados da literatura sobre a vulnerabilidade dos idosos à polimedicação e automedicação, que aumentam o risco de reações adversas. Discussão e Considerações Finais: A atividade abordou temas cruciais para a segurança do paciente idoso, promovendo conscientização e engajamento. Destaca-se o papel dos profissionais de saúde e da equipe de residência na condução da ação, fortalecendo o vínculo com a comunidade e contribuindo para um cuidado mais humanizado. Conclui-se que o bingo educativo é uma ferramenta relevante de educação em saúde, capaz de estimular a participação ativa dos idosos e promover o uso seguro de medicamentos.

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