Resumo
Introdução: O estresse ocupacional constitui um importante problema de saúde pública, especialmente entre profissionais da saúde, devido à elevada carga de trabalho, pressão assistencial e exposição contínua a situações de alta complexidade. A ativação persistente do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal promove aumento da secreção de cortisol, hormônio diretamente relacionado à resposta fisiológica ao estresse. Alterações crônicas nos níveis desse biomarcador podem desencadear repercussões metabólicas, cardiovasculares, imunológicas e psicológicas, além de influenciar a resposta farmacológica a diversos medicamentos. Diante desse contexto, este estudo teve como objetivo revisar a literatura científica acerca da relação entre o estresse ocupacional, as alterações dos níveis de cortisol e suas implicações para a saúde dos profissionais da área da saúde. Material e Método: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, desenvolvida a partir de publicações científicas indexadas nas bases de dados SciELO, PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), além de documentos oficiais do Ministério da Saúde. Foram considerados artigos publicados nos idiomas português e inglês, entre os anos de 1998 e 2025, utilizando os descritores relacionados a cortisol, estresse ocupacional, resposta ao cortisol ao acordar, síndrome de Cushing, doença de Addison, hipersecreção hipofisária de ACTH e profissionais da saúde. Após leitura dos estudos selecionados, realizou-se análise descritiva dos principais achados relacionados aos mecanismos fisiológicos do estresse, alterações hormonais, repercussões clínicas e contribuição da assistência farmacêutica para o uso racional de medicamentos e acompanhamento desses profissionais. Resultados: Os estudos analisados demonstram que a exposição contínua aos fatores estressores ocupacionais favorece alterações no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, resultando em modificações nos níveis séricos de cortisol. Essas alterações estão associadas à fadiga, distúrbios do sono, comprometimento imunológico, alterações metabólicas, maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de ansiedade e depressão, além de interferirem na farmacocinética e farmacodinâmica de diversos medicamentos. A literatura também evidencia que diferentes categorias profissionais apresentam níveis distintos de estresse, influenciados pelas características do ambiente de trabalho, carga horária e responsabilidades desempenhadas. Discussão : Os achados reforçam que o estresse ocupacional representa um importante fator de risco para a saúde dos profissionais, evidenciando a necessidade de estratégias voltadas à prevenção e ao monitoramento dessas alterações. Nesse contexto, destaca-se a atuação da assistência farmacêutica na promoção do uso racional de medicamentos, na identificação de problemas relacionados à farmacoterapia e no desenvolvimento de ações educativas voltadas à promoção da saúde do trabalhador, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e da segurança terapêutica. Conclusão: As evidências científicas indicam que o estresse ocupacional exerce impacto significativo sobre os níveis de cortisol e sobre a saúde dos profissionais da área da saúde. O monitoramento desse biomarcador, associado a estratégias de promoção da saúde e à atuação clínica do farmacêutico, pode contribuir para a prevenção de agravos, melhoria da qualidade de vida e fortalecimento das ações de saúde do trabalhador.

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