Resumo
Introdução: A assistência farmacêutica foi fortalecida após a Lei nº 13.021/2014, que reconheceu farmácias e drogarias como estabelecimentos de saúde e ampliou a atuação clínica do farmacêutico. Entretanto, a implementação da Farmácia Clínica ainda enfrenta barreiras relacionadas à infraestrutura, ao modelo comercial, à organização do trabalho e à qualificação profissional. Diante desse cenário, este estudo teve como objetivo identificar, por meio de uma revisão da literatura, os principais desafios para a implantação da Farmácia Clínica em drogarias e seus impactos na assistência farmacêutica e no uso racional de medicamentos. Material e Método: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases de dados SciELO, LILACS e PubMed. A busca utilizou os descritores "Assistência Farmacêutica", "Farmácia Clínica", "Uso Racional de Medicamentos", "Serviços Farmacêuticos" e "Drogarias", combinados pelo operador booleano AND. Foram incluídos artigos publicados entre 2020 e 2026, disponíveis na íntegra em português, inglês ou espanhol, que abordassem a atuação clínica do farmacêutico em farmácias comunitárias e drogarias brasileiras. Excluíram-se editoriais, teses, dissertações, relatos de experiência, duplicidades e estudos que não respondiam ao objetivo da pesquisa. Os estudos selecionados foram analisados de forma descritiva, permitindo identificar as principais barreiras para a implementação da Farmácia Clínica no contexto das drogarias. Resultados: Os achados indicam que a ampliação dos serviços clínicos depende da integração entre gestão, infraestrutura, educação permanente e valorização da atuação clínica do farmacêutico. A superação dessas barreiras pode fortalecer a assistência farmacêutica, promover o uso racional de medicamentos e contribuir para maior segurança do paciente nas drogarias comunitárias. Discussão : A literatura evidenciou que a implementação da Farmácia Clínica em drogarias enfrenta barreiras estruturais, como ausência de consultórios farmacêuticos, infraestrutura inadequada e escassez de recursos físicos. Também foram identificados desafios organizacionais relacionados à sobrecarga de trabalho, metas comerciais e número insuficiente de profissionais. Além disso, os estudos apontaram limitações na capacitação dos farmacêuticos e dificuldades na aplicação da legislação vigente para a consolidação dos serviços clínicos. Conclusão: A revisão evidencia que a Farmácia Clínica representa importante estratégia para qualificar a assistência farmacêutica e promover o uso racional de medicamentos nas drogarias brasileiras. Entretanto, sua implementação ainda é limitada por barreiras estruturais, comerciais, organizacionais e relacionadas à formação profissional. O fortalecimento dos serviços clínicos requer investimentos em infraestrutura, educação permanente, valorização da atuação clínica do farmacêutico e maior integração entre legislação e prática profissional. Dessa forma, espera-se que este estudo contribua para subsidiar futuras pesquisas e apoiar gestores e profissionais na implementação de estratégias capazes de ampliar a oferta dos serviços farmacêuticos clínicos no varejo brasileiro.

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