Resumo
Introdução: A antibioticoterapia profilática na odontologia é o uso de antibióticos prévio para reduzir o risco de infecções. Durante décadas, a clindamicina foi utilizada como alternativa para pacientes alérgicos à penicilina, no entanto, atualizações da American Heart Association (AHA), European Society of Cardiology (ESC), American Dental Association (ADA) e National Institute for Health and Care Excellence (NICE) passaram a desaconselhar o uso da clindamicina devido ao risco de eventos adversos graves, como colite associada ao Clostridioides difficile, e à baixa eficácia clínica comprovada. Objetivou-se avaliar a eficácia, segurança e diretrizes relacionadas à utilização da clindamicina como profilático em Odontologia. Material e Método: O estudo foi conduzido em conformidade com as diretrizes PRISMA. A pergunta norteadora foi estruturada utilizando a estratégia PICO para definir a população submetida à profilaxia antibiótica, o uso profilático da clindamicina, a ausência de restrição comparativa direta e a avaliação da eficácia e segurança (incluindo eventos adversos e resistência bacteriana) como desfechos principais. Realizou-se busca nas bases PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science e SciELO, empregando descritores: ("Clindamycin" OR "clindamicina") AND ("Antibiotic Prophylaxis" OR "profilaxia antibiótica") AND ("Dentistry" OR "odontologia"). Os critérios de inclusão limitaram-se a artigos originais em inglês ou português, publicados entre janeiro de 2021 e junho de 2026, que avaliaram o uso profilático da clindamicina na odontologia. Foram excluídos relatos de caso, estudos pré-clínicos, revisões narrativas e pesquisas sem correlação clínica odontológica direta. O processo de triagem inicial, remoção de duplicatas, leitura de títulos e resumos, bem como a seleção final, foram conduzidos por dois revisores independentes. Por utilizar dados secundários públicos, dispensou-se a aprovação do Comitê de Ética. Resultados: A estratégia de busca identificou 142 registros. Após remoção de duplicatas, a triagem de títulos e resumos resultou na seleção de 45 artigos para leitura completa. Destes, após aplicação dos critérios de elegibilidade, 18 estudos foram incluídos na síntese qualitativa. Discussão : Os resultados confirmam que as diretrizes atuais (AHA, ESC, ADA, NICE) deixaram de recomendar a clindamicina para profilaxia em pacientes alérgicos à penicilina. Uma dose profilática eleva o risco de C. difficile. Evidenciou-se maior taxa de falha terapêutica (14%) e aumento da resistência bacteriana. Constatou-se discrepância clínica: embora protocolos recomendem amoxicilina como primeira escolha e macrolídeos (azitromicina ou claritromicina) ou cefalexina para alérgicos, cirurgiões-dentistas mantêm altas taxas de prescrição profilática desnecessária (80% a 95%). O ponto forte do estudo é o embasamento em diretrizes globais, enquanto a limitação recai na restrição a apenas duas bases de dados. Conclusão: O uso profilático da clindamicina na prática odontológica deve ser evitado, devido aos riscos intestinais, falha terapêutica e resistência crescente. Conforme evidenciado por diretrizes e estudos recentes e substituída por medicamentos com evidências clínicas mais seguras. Portanto, sugere-se o desenvolvimento de estudos longitudinais para monitorar a eficácia e a segurança dessas alternativas farmacológicas indicadas.

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