Resumo
Introdução: A saúde mental dos trabalhadores da Atenção Primária à Saúde tornou-se um importante desafio para os sistemas de saúde, especialmente após o aumento das demandas assistenciais e da sobrecarga ocupacional. Nesse cenário, o uso de psicofármacos constitui um importante indicador do adoecimento psíquico e da necessidade de cuidado entre essas profissionais. Objetivos: Avaliar a prevalência do uso de psicofármacos e descrever o perfil de saúde mental entre trabalhadoras da Atenção Primária à Saúde. Material e Método: Trata-se de um estudo transversal, de abordagem quantitativa. Foram incluídas participantes com vínculo ativo e que responderam integralmente ao questionário. A seleção foi feita por amostragem aleatória simples com base em lista nominal fornecida pela gestão municipal. A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário estruturado e foram analisados os dados sociodemográficos, condições de saúde, saúde mental e uso de medicamentos. Os dados foram organizados em planilha eletrônica e analisados por meio de estatística descritiva. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética (Parecer n. 7.121.502). Resultados: Participaram do estudo 317 mulheres, cuja idade média foi de 42,2 anos. Observou-se que nos últimos cinco anos, 70% (n=222) das trabalhadoras relataram ter vivenciado pelo menos um problema relacionado à saúde mental, sendo a ansiedade (52%; n=165) o mais prevalente, além de outras condições como distúrbios do sono (34%; n=108), depressão (15%; n=49), síndrome do pânico (9%; n=30) e síndrome de Burnout (7%; n=21). Em relação ao uso de medicamentos, 30% das trabalhadoras utilizavam psicofármacos. Os antidepressivos constituíram a classe farmacológica mais utilizada (62%), seguidos pelos anticonvulsivantes (13%) e benzodiazepínicos (11%). A sertralina foi o psicofármaco mais utilizado (22%; n=18), seguida por escitalopram e pregabalina (10%; n=8 cada) e clonazepam (7%; n=6). Discussão : Os resultados evidenciam elevada frequência de problemas relacionados à saúde mental e importante utilização de psicofármacos, especialmente antidepressivos. Entretanto, observou-se discrepância entre a prevalência de problemas de saúde mental autorreferidos e o uso de psicofármacos, sugerindo que parte das trabalhadoras pode não utilizar tratamento farmacológico, seja por acompanhamento não medicamentoso ou por outros fatores que não foram avaliados. Estudos adicionais são necessários para compreender esse cenário. Conclusão: As trabalhadoras da Atenção Primária apresentaram elevada frequência de problemas relacionados à saúde mental e uso de psicofármacos, predominantemente antidepressivos. Os achados reforçam a necessidade de estratégias institucionais voltadas à promoção da saúde mental, identificação precoce do sofrimento psíquico e ampliação do acesso ao cuidado entre trabalhadoras do SUS.

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