Resumo
Introdução: O envelhecimento populacional está associado ao aumento da prevalência de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), o que contribui para a polifarmácia e uso de medicamentos potencialmente inapropriados (MPI). A identificação desses medicamentos é fundamental para a promoção da segurança do paciente e uso racional de medicamentos. Material e Método: Trata-se de um estudo transversal realizado entre outubro de 2025 e abril de 2026. Foram incluídas pessoas idosas com 60 anos ou mais encaminhadas para atendimento geriátrico no Ambulatório de Especialidades do SUS localizado no norte do Espírito Santo. Antes da consulta médica geriátrica, o paciente foi encaminhado à triagem inicial e aplicação do instrumento Índice de Vulnerabilidade Clínico-Funcional (IVCF-20). Após a consulta médica geriátrica, os participantes foram encaminhados ao atendimento farmacêutico para coleta de dados sociodemográficos, clínicos e da farmacoterapia, e foram documentadas em formulário adaptado do Método Dáder. A identificação e classificação dos MPI foram realizados com base no Critério de Beers da American Geriatrics Society. Os dados foram organizados em planilha eletrônica e analisados por meio de estatística descritiva. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética (Parecer n. 6.071.609). Resultados: Foram avaliados 40 idosos com idade média de 78 anos. A maioria era do sexo feminino (73%), viúva (48%), apresentava baixa escolaridade (≤4 anos de estudo) ou era analfabeta (85%) e residia com familiares (75%). Quanto à autopercepção de saúde, 52,5% classificaram como regular. Houve relato de quedas no último ano em 45% dos participantes, dificuldade para caminhar em 45% e queixas de esquecimento em 58%. A fragilidade foi identificada em 67,5% dos idosos e o risco de fragilidade em 30%, segundo o Índice de Vulnerabilidade Clínico-Funcional (IVCF-20). Entre as DCNT, a hipertensão arterial sistêmica foi a mais prevalente (93%), seguida por diabetes mellitus (35%) e dislipidemia (33%). Os participantes utilizavam, em média, seis medicamentos, sendo observada polifarmácia em 67% da amostra. Problemas relacionados a medicamentos (PRM) foram identificados em 33% dos idosos, sendo erros de administração e não adesão os mais prevalentes. O uso de medicamentos potencialmente inapropriados (MPI) foi observado em 45% dos participantes. As classes farmacológicas de MPI mais utilizadas pelo participantes foram os antipsicóticos atípicos (22,5%), principalmente a quetiapina, seguidos pelos benzodiazepínicos (10%), como o clonazepam, e pelos antidepressivos tricíclicos (5%), como a amitriptilina. Discussão: A elevada prevalência de polifarmácia e MPI observada, especialmente de psicofármacos, pode contribuir para o aumento do risco de quedas, comprometimento cognitivo e outros eventos adversos em idosos vulneráveis. Esses achados reforçam a importância da revisão sistemática da farmacoterapia e da atuação interprofissional para qualificar o cuidado à pessoa idosa. Conclusão: A maior parte dos participantes era do sexo feminino, apresentava baixa escolaridade e residia com familiares. Observou-se prevalência de vulnerabilidade clínica, polifarmácia e uso de MPI entre idosos atendidos, evidenciando a necessidade de monitoramento contínuo da farmacoterapia. Nesse contexto, a atuação do farmacêutico pode contribuir para a identificação e resolução de PRM, bem como para a revisão sistemática da farmacoterapia e a desprescrição, quando clinicamente indicada, favorecendo o uso seguro e racional de medicamentos para a pessoa idosa.

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