Resumo
Introdução: O diabetes mellitus (DM) é uma doença crônica não transmissível, de alta prevalência, caracterizada pela hiperglicemia. O objetivo do estudo foi caracterizar o perfil de pacientes com diabetes tipo 1 (DM1) atendidos em uma farmácia estadual do Espírito Santo, bem como descrever os parâmetros de monitoramento glicêmico e as terapias utilizadas. Material e Método: Trata-se de um estudo quantitativo, transversal, baseado na análise de dados secundários de pacientes atendidos em uma farmácia do componente especializado na região de saúde central do Espírito Santo. Os dados foram coletados de setembro a dezembro de 2025 no sistema de prontuário eletrônico, denominado Onbase, das farmácias estaduais. Foram incluídos no estudo indivíduos com diagnóstico de DM1, idade ≥18 anos e, no mínimo, dois anos de atendimento regular na Farmácia. Foram excluídos pacientes sem, no mínimo, quatro exames laboratoriais de monitoramento em dois anos ou que não atenderam aos critérios de inclusão. A coleta contemplou informações sociodemográficas, dados clínicos, antropométricos, terapias utilizadas e resultados de Hemoglobina glicada (HbA1c) e glicemia em jejum. A análise dos dados foi realizada no software Jamovi. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o parecer nº 7.620.227. Resultados: A amostra foi composta por 75 pacientes, predominando o sexo feminino (58,6%; n = 44) e a faixa etária de 30 a 59 anos (46,6%; n = 35). Observou-se uma elevada prevalência de DM1 em idosos (30,6%; n = 23) e menor proporção de jovens (22,6%; n = 17). Em relação ao controle glicêmico, 61,3% (n = 46) apresentaram glicemia em jejum superior a 130 mg/dL e 78,6% (n = 59) HbA1c acima de 7,0%. Além disso, 25,3% (n = 19) apresentavam sobrepeso e 14,6% (n = 11) algum grau de obesidade. Os testes estatísticos mostraram uma relação significativa entre HbA1c e o IMC categorizados dos pacientes (teste de Kruskal-Wallis; p = 0,030). As terapias mais utilizadas foram insulina de ação prolongada (82,6%; n = 62) e de ação rápida (54,6%; n = 41). Ainda, 5,3% (n = 4) utilizavam dapagliflozina. Discussão: Os achados sugerem dificuldades na manutenção das metas terapêuticas, maior risco de complicações do DM1 e destacam a necessidade de acompanhamento nutricional e monitoramento da farmacoterapia. Conclusão: Os resultados evidenciam elevada frequência de descontrole glicêmico, reforçando a importância do monitoramento contínuo, da assistência farmacêutica e da atuação multiprofissional no cuidado às pessoas com DM1.

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