PE-17 Perfil de uso do meropenem e de resistência a carbapenêmicos em bacilos Gram-negativos em hospital de alta complexidade

Palavras-chave

Farmacorresistência Bacteriana;
Bactérias Gram-Negativas;
Carbapenêmicos;
Meropenem;
Infecção Hospitalar.

Como Citar

Rocha, C. E. da S., Teixeira, A. N., & Carlos, C. C. (2026). PE-17 Perfil de uso do meropenem e de resistência a carbapenêmicos em bacilos Gram-negativos em hospital de alta complexidade. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 11(s.5). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00618

Resumo

Introdução: A resistência antimicrobiana é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como uma das dez principais ameaças à saúde global, comprometendo a eficácia dos carbapenêmicos, principal recurso terapêutico contra bacilos Gram-negativos multirresistentes. O objetivo deste estudo foi caracterizar o perfil de uso do meropenem e a resistência a carbapenêmicos em bacilos Gram-negativos em um hospital de alta complexidade. Material e Método: Estudo exploratório, observacional, transversal e retrospectivo, conduzido em hospital filantrópico de alta complexidade em Campos dos Goytacazes, RJ, com 148 leitos, 30 destinados à unidade de terapia intensiva (UTI). Foram incluídos todos os pacientes que receberam meropenem entre abril de 2025 e abril de 2026 (Grupo 1, n=361), com subgrupo apresentando antibiograma disponível (Grupo 2, análise preliminar de 45 isolados de bacilos Gram-negativos). Foram excluídos do Grupo 2 isolados com dados incompletos ou ausência de resultado de sensibilidade a carbapenêmicos, amostras provenientes de pacientes externos ao hospital e culturas duplicadas do mesmo paciente no mesmo episódio infeccioso, evitando superestimação da resistência. Os dados foram obtidos de prontuário eletrônico institucional e laudos de antibiograma, com classificação do uso do meropenem em empírico ou dirigido conforme a data de liberação do resultado microbiológico. Análise por estatística descritiva. O estudo seguiu a Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde. Aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina de Campos (parecer nº 8.338.444). Resultados: A população foi predominantemente idosa (mediana de 72 anos) e concentrada em UTI, representando 82% dos casos. O uso empírico correspondeu a 66% dos casos avaliáveis. Entre os isolados, Klebsiella pneumoniae (36%) e Acinetobacter baumannii (33%) foram as espécies mais prevalentes. A resistência ao meropenem alcançou 59%, atingindo a totalidade dos isolados de A. baumannii testados. Constatou-se pan-resistência em 45,5% dos isolados avaliados. Discussão : A resistência total observada entre os isolados de A. baumannii restringe as opções terapêuticas a antimicrobianos de último recurso. Esses achados, ainda preliminares, são consistentes com o cenário nacional de disseminação de Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC) e oxacilinase do tipo 23 (OXA-23), reforçando a elevada pressão seletiva exercida pelo uso empírico prolongado de carbapenêmicos na instituição. Conclusão: Os resultados evidenciam cenário preocupante de resistência aos carbapenêmicos, com destaque para a resistência total ao meropenem entre os isolados de A. baumannii e a expressiva ocorrência de pan-resistência. Esse perfil, aliado à elevada frequência de uso empírico, reforça a urgência de um programa de gerenciamento de antimicrobianos direcionado à realidade local, com vigilância contínua da resistência e racionalização terapêutica.

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00618
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