PE-16 Interações medicamentosas potenciais em indivíduos em polifarmácia em município capixaba

Palavras-chave

Polifarmácia;
Interações de Medicamentos;
Uso de Medicamentos;
Segurança do Paciente;
Assistência Farmacêutica.

Como Citar

Melo, R. F., de Souza, M. R. C., da Silva, A. M., Horsth, A. L., dos Santos, J. B. R., & da Silva, M. R. R. (2026). PE-16 Interações medicamentosas potenciais em indivíduos em polifarmácia em município capixaba. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 11(s.5). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00617

Resumo

Introdução: A polifarmácia, definida como o uso concomitante de cinco ou mais medicamentos, é frequente em indivíduos com doenças crônicas e pode aumentar o risco de eventos adversos, falhas terapêuticas e interações medicamento-medicamento. Este estudo teve como objetivo identificar e descrever interações medicamentosas potenciais em indivíduos em polifarmácia residentes em Alegre, Espírito Santo, destacando sua gravidade e as possíveis consequências clínicas das combinações mais frequentes. Material e Método: Estudo epidemiológico transversal, realizado com dados coletados entre novembro e dezembro de 2021 no projeto “Estudo de utilização de medicamentos na Rede de Atenção à Saúde em Alegre”. Foram incluídos medicamentos de uso contínuo, prescritos ou utilizados por automedicação. Em associações de dose fixa, os princípios ativos foram analisados separadamente. Quatro revisores identificaram e classificaram no banco Micromedex/Cognys Meds as interações em leves, moderadas ou maiores. Realizaram-se análises descritivas, com frequências absolutas e relativas, mediana e intervalo interquartil. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Espírito Santo, parecer nº 4.732.878. Resultados: Foram entrevistados 694 indivíduos com 18 anos ou mais, dos quais 140 utilizavam cinco ou mais medicamentos e compuseram a amostra analisada (20,2%). Destes em polifarmácia, 125 apresentaram pelo menos uma interação medicamentosa potencial (89,3%). A amostra foi predominantemente feminina (78,6%), com mediana de idade de 64 anos, e 94,3% relataram duas ou mais doenças. As condições mais frequentes foram hipertensão arterial (79,3%), ansiedade (66,4%), dislipidemia (51,4%) e diabetes mellitus (37,1%). Losartana (n=53; 37,9%), Dipirona (n=52; 37,1%) e Hidroclorotiazida (n=42; 30,0%) foram os medicamentos mais usados. As interações maiores mais frequentes foram dipirona + hidroclorotiazida (n=13), associada à possível redução da eficácia diurética e nefrotoxicidade; dipirona + ácido acetilsalicílico (n=11), relacionada à redução da eficácia antiplaquetária, maior risco de sangramento e disfunção renal; e combinações envolvendo hidroclorotiazida, ácido acetilsalicílico, metformina e glibenclamida (n=9 cada). Entre as interações moderadas, destacou-se dipirona + losartana potássica (n=17), com possível redução do efeito anti-hipertensivo, disfunção renal e aumento da pressão arterial. Discussão : Os achados indicam concentração de riscos em medicamentos para doenças cardiovasculares, diabetes mellitus e analgésicos de venda livre, reforçando a importância do acompanhamento farmacoterapêutico para promover o uso seguro de medicamentos. Conclusão: A elevada frequência de interações medicamentosas potenciais evidencia a necessidade de revisão periódica da farmacoterapia em indivíduos em polifarmácia e monitoramento da automedicação. Nesse contexto, o farmacêutico pode contribuir para prevenir eventos adversos, otimizar tratamentos e fortalecer o uso racional de medicamentos.

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00617
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