Resumo
Introdução: A Diabetes mellitus tipo 2 (DM2) é uma doença crônica não transmissível de caráter metabólico, caracterizada pela hiperglicemia. Sua prevalência aumentou mundialmente, em especial em Salvador-BA, o que representa um desafio para o sistema de saúde. A alimentação é crucial no controle da DM2, impactando a resposta glicêmica e a eficácia medicamentosa. Devido às interações fármaco-nutriente, este estudo visa identificar as principais interações em diabéticos de Salvador, listando fármacos utilizados por adultos e idosos, relatando possíveis interações e investigando o acesso a informações sobre o tratamento. Material e Método: Este estudo observacional quali-quantitativo ocorreu de agosto a novembro de 2025, após aprovação do CEP/UniFTC (Parecer 7.709.362, CAAE 88769725.0.0000.5032). Utilizou-se técnica snowball via Google Forms e amostra não probabilística por conveniência, composta por 32 soteropolitanos (40-80 anos), de ambos os sexos, com DM2 e em tratamento regular. Excluíram-se gestantes, indivíduos com dificuldades cognitivas, condições imunológicas comprometidas ou doenças crônicas graves (insuficiência renal/hepática). O embasamento pautou-se em dados estatísticos e vivências dos participantes, analisados via Excel. Resultados: A pesquisa identificou predominância do gênero feminino e faixa etária entre 40 e 50 anos. A metformina foi o fármaco mais utilizado, havendo relatos de outros medicamentos para outras comorbidades, evidenciando a polifarmácia. Verificou-se que 68,7% dos participantes não receberam orientação profissional sobre interações fármaco-nutrientes. Apenas 16,7% dos usuários de metformina realizam reposição de vitamina B12, indicando possível risco de deficiência não monitorada. Discussão: O uso contínuo de metformina dificulta a absorção intestinal de vitamina B12, exigindo avaliação rotineira após 4 anos de tratamento e reposição quando necessário (Lyra et al., 2024; Mohn, 2018). Contudo, a pesquisa com 32 participantes revelou uma lacuna nessa assistência: apenas 16,7% realizam a reposição de B12, e 10 indivíduos utilizam metformina concomitantemente com suplementos. Além disso, 67,7% dos entrevistados não receberam orientação profissional sobre a interação fármaco-nutriente, convergindo com o cenário de desinformação observado por Almeida et al. (2015). Diante disso, evidencia-se a necessidade de as equipes de saúde aperfeiçoarem a comunicação sobre o tratamento, sendo o acompanhamento multidisciplinar um fator determinante na prevenção e mitigação dessas interações (Oliveira, 2019). Conclusão: O estudo evidenciou a relevância das interações fármaco-nutrientes, destacando a alta incidência de polifarmácia e o uso predominante da metformina, com baixa reposição de vitamina B12. Este fato constatou a diminuição da absorção dessas vitaminas no organismo, trazendo malefícios para o indivíduo. Verificou-se a falta de orientação profissional sobre interações droga-nutrientes. Esta pesquisa enfrentou limitações; uma delas está na amostra reduzida, composta por 32 participantes, o que, apesar de estar alinhado com estudos semelhantes, limita a capacidade de generalizar os achados. Além disso, a pesquisa revelou que a literatura sobre as interações entre medicamentos e nutrientes é bastante limitada, indicando a vulnerabilidade das equipes de saúde em identificar possíveis interações. Isto reforça a necessidade de capacitação das equipes de saúde e de uma abordagem multiprofissional para promover maior segurança terapêutica e adesão ao tratamento.

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