Resumo
Introdução: Os poluentes mercúrio (Hg), cádmio (Cd) e tributilestanho (TBT) estão presentes no meio ambiente e a principal fonte de exposição para os seres humanos é o consumo de alimentos contaminados. Estudos mostram que estes contaminantes isolados podem provocar a toxicidade reprodutiva em ambos os sexos. No entanto, pouco é compreendido acerca das consequências causadas pela exposição pré-natal à mistura destes contaminantes. Desta forma, este estudo foi realizado com o objetivo de avaliar as consequências hepáticas na prole de ambos os sexos após a coexposição pré-natal à mistura dos poluentes Hg+Cd+TBT. Material e Método: Para isso, utilizou-se ratas Wistar adultas (n=4/grupo), e ratos machos controle (n=2/grupo), para acasalamento. Durante 15 dias, as fêmeas do grupo Hg+Cd+TBT (MIX) recebeu cloreto de mercúrio (4,6 μg/kg, dose inicial, e 0,07 μg/kg/dia, manutenção, via intramuscular), cloreto de tributilestanho (100 ng/kg/dia, via gavagem) e cloreto de cádmio por oferta de água potável na (concentração de 100 mg/L). Após o nascimento, dia pós-natal 1 (PND1) foram avaliados peso, glicemia, morfologia hepática e estresse oxidativo da prole. Os fígados dos filhotes foram submetidos às análises histológicas, quantificação de mastócitos, deposição de colágeno, e análise de estresse oxidativo no tecido hepático. O estudo foi aprovado pela CEUA-UFES (nº 04/2023). Os dados obtidos foram expressos como média ± E.P.M. Os testes omnibus de D’Agostino e Pearson foram utilizados para avaliar a normalidade dos dados e testes t de Student e teste de Mann Whitney para os dados gaussianos e não gaussianos, respectivamente. As análises foram feitas no software ImageJ e GraphPad Prism 6.0. O valor de p<0,05 foi considerado estatisticamente significativo. Resultados: Houve diminuição do peso corporal do grupo MIX versus o grupo controle (p<0,05). Ocorreu um aumento da glicemia nos filhotes MIX versus o grupo controle (p<0,05). Na avaliação do fígado, houve um aumento no número de mastócitos no grupo MIX versus grupo controle (p<0,05), e aumento no estresse oxidativo (p<0,05). Além disso, foi observado um aumento na deposição de colágeno hepático no grupo MIX versus grupo controle (p<0,05). Discussão : Os resultados indicam que a coexposição pré-natal a Hg+Cd+TBT compromete o desenvolvimento da prole, evidenciado pela redução do peso corporal, possivelmente relacionada à interferência desses contaminantes em processos fisiológicos essenciais durante a gestação. O aumento da glicemia sugere desregulação do metabolismo glicídico, compatível com a ação de desreguladores endócrinos, como o TBT, associado à programação metabólica alterada. No fígado, o aumento de mastócitos indica ativação inflamatória, enquanto a maior deposição de colágeno sugere início de remodelamento tecidual, podendo refletir estágios iniciais de fibrose. Além disso, o aumento do estresse oxidativo evidencia desequilíbrio do estado redox, indicando participação de espécies reativas de oxigênio no dano celular. Conclusão: Portanto, esses dados sugerem que a coexposição à mistura Hg+Cd+TBT promove alterações metabólicas, inflamatórias e oxidativas precoces, reforçando o impacto de contaminantes durante períodos críticos do desenvolvimento. Limitações: As análises compararam apenas o grupo controle (veículo) com o grupo MIX (Hg+Cd+TBT), não permitindo avaliar os efeitos individuais ou interações específicas entre os contaminantes. Ainda assim, o estudo é relevante por investigar a coexposição, refletindo melhor o cenário ambiental real.

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