Resumo
Introdução: A exposição solar excessiva causa fotoenvelhecimento, hiperpigmentação e aumenta o risco de câncer de pele, tornando a fotoproteção indispensável. Entretanto, muitos fotoprotetores têm baixa aceitação estética em pessoas de pele negra por deixarem um resíduo esbranquiçado visível, o que desencoraja o uso contínuo. Sob essa perspectiva, o uso de ferramentas digitais de análise de imagem para identificação de tons de pele e recomendação de produtos têm potencial, mas sofrem de viés algorítmico devido à sub-representação de peles escuras nos conjuntos de dados. Objetivos: Desenvolver formulações de protetores solares personalizados para pele negra sugeridos por uma plataforma computacional de estimativa de tom de pele. Material e Método: A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE: 96265526.1.0000.5060). Para calibração da plataforma computacional, foi feito um estudo piloto, com a manipulação do fotoprotetor seguindo as proporções de pigmentos determinados pela plataforma. Em seguida, foram feitos ajustes baseados em colorimetria para adequação final da cor do fotoprotetor com tons/subtons dos participantes, avaliando a cor e a boa adesão à pele. Resultados: O tom de pele, determinado pela plataforma e classificado na Escala Monk, foi nº 7 para participante 1 e nº 5, para a participante 2. Foram desenvolvidas 6 formulações A (participante 1) e 5 formulações B (participante 2) até a escolha da formulação final. A concentração final de pigmentos foi de 2,50 % azul, 2,51 % vermelho, 6,39% amarelo para protetor A e, para o protetor B foi de 1,61 % azul, 6,68 % amarelo e 2% vermelho, ambos incorporados em base FPS 30. Discussão : A proporção de pigmentos sugerida foi alterada até que fosse atingido o subtom mais adequado. Embora o tamanho amostral reduzido deste estudo configure uma limitação, ele constitui etapa inicial fundamental para certificar a metodologia proposta e confirmar que a plataforma de fotoproteção customizada pode ser aplicada em condições reais de uso. Conclusão: Ajustes colorimétricos manuais foram integrados à previsão computacional para ajuste dos subtons da pele negra. Apesar de demandar refinamentos na formulação para a idealização cromática, a plataforma computacional demonstrou-se extremamente útil, especialmente na estimativa do tom de pele, o que impulsionou a condução do desenvolvimento do fotoprotetor personalizado. A abordagem propõe uma estratégia sistematizada com uso da inteligência artificial no delineamento de produtos individualizados.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Copyright (c) 2026 Ana Luiza Lopes Klitzke, Maria Gabriela Siqueira Tavares, Ludmila Rosario Campos, Celio Luiz Rodrigues, Cristiane dos Santos Giuberti

