Resumo
Introdução: Trata-se de um estudo retrospectivo, descritivo e longitudinal conduzido pelo serviço de farmácia clínica do Hospital Santa Casa de Misericórdia de Vitória, um hospital-escola localizado no estado do Espírito Santo. Foram incluídas todas as IFs registradas no período de agosto de 2022 a dezembro de 2025 e, em seguida, discriminadas aquelas relacionadas ao manejo de antimicrobianos. As variáveis analisadas incluíram a taxa de IFs relacionadas a antimicrobianos, o impacto farmacoeconômico gerado e a evolução temporal do perfil de intervenções. Os dados foram processados por meio de estatística descritiva, utilizando distribuição percentual, médias e análise da progressão anual. Material e Método: Nos 40 meses do estudo, foram realizadas 7.248 IFs, das quais 1.464 (20,2%) estavam relacionadas ao manejo de antimicrobianos, evidenciando elevada participação desta classe farmacológica na rotina do serviço de farmácia clínica. Observou-se predomínio de intervenções relacionadas ao ajuste de dose (60,3%), principal categoria identificada tanto entre as IFs aceitas quanto recusadas, seguida por suspensão de antimicrobianos (12,23%), manejo de interações medicamentosas (10,59%) e sugestão de adição à prescrição (5,40%). O perfil das intervenções demonstra atuação clínica voltada à otimização farmacoterapêutica e adequação posológica, especialmente nos casos relacionados a disfunção renal. Houve grande taxa de aceitabilidade das intervenções (83,27%), sugerindo reconhecimento da relevância clínica das intervenções. Resultados: Do total de 1.704 intervenções com impacto farmacoeconômico mensurável, 530 (31,1%) envolveram antimicrobianos, correspondendo a R$ 222.340,25 em economia gerada, valor equivalente a 57,8% de toda farmacoeconomia produzida pelo serviço no período analisado. Esses achados evidenciam o impacto econômico dos antimicrobianos no orçamento terapêutico hospitalar, além de reforçarem a relevância das IFs na promoção do uso racional e sustentável desta classe terapêutica. Como limitações do estudo, destacam-se o delineamento retrospectivo e a ausência de avaliação direta de desfechos clínicos, como redução de resistência bacteriana, mortalidade ou tempo de internação. Discussão : Os resultados reforçam o papel estratégico do farmacêutico clínico na segurança do paciente, redução de desperdícios e sustentabilidade hospitalar ao longo da série histórica analisada. Estudos futuros envolvendo desfechos clínicos diretos poderão ampliar a compreensão do impacto das IFs sobre resistência bacteriana. Conclusão: Os resultados reforçam o papel estratégico do farmacêutico clínico na segurança do paciente, redução de desperdícios e sustentabilidade hospitalar ao longo da série histórica analisada. Estudos futuros envolvendo desfechos clínicos diretos poderão ampliar a compreensão do impacto das IFs sobre resistência bacteriana.

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