Resumo
Introdução (com o objetivo): Os medicamentos podem apresentar riscos e efeitos adversos que exigem acompanhamento rigoroso. Apesar dos benefícios que o medicamento pode trazer, é possível que apareçam alguns efeitos indesejáveis, como as reações adversas. Nesse cenário, a farmácia clínica atua como um pilar indispensável de cuidado, com foco na segurança, recuperação da saúde e bem-estar do paciente. A presença ativa do farmacêutico clínico no ambiente ambulatorial promove uma assistência colaborativa que reduz erros de medicação, custos e mortalidade. Contudo, o acompanhamento presencial nas consultas farmacêuticas configura um desafio. Fatores socioeconômicos e a sobrecarga do sistema de saúde, atuam como barreiras que comprometem não apenas a adesão ao tratamento, mas também o estabelecimento de um vínculo efetivo entre o profissional e o núcleo familiar. Objetivo: Avaliar o perfil e a frequência das teleorientações farmacêuticas, bem como sua contribuição para a adesão, segurança e efetividade do tratamento dos pacientes acompanhados. Descrição: Estudo retrospectivo, descritivo e quantitativo com dados de 01/2025 a 12/2025, obtidos de prontuários de pacientes acompanhados pela farmácia clínica ambulatorial do ICr-HC-FMUSP via teleorientação por celular institucional, com consentimento do responsável. As teleorientações foram realizadas através do celular corporativo, fornecido pela Instituição. O contato foi realizado através de aplicativo de mensagem com autorização prévia do responsável, com o intuito de acompanhar o tratamento farmacoterapêutico. Em 2025, foram contabilizadas 364 teleorientações. O acompanhamento de adesão predominou, com 207 (56,87%) registros voltados ao monitoramento do cumprimento do plano de tratamento estabelecido em consulta. As orientações farmacêuticas totalizaram 110 (30,22%) das teleorientações, sendo a maior parte motivada por dúvidas ou ajustes no modo de uso (30%), o que engloba instruções sobre posologia e administração. Monitoramento da frequência e absenteísmo, por falta de retirada de medicamentos na farmácia (20,91%) e as substituições de itens da prescrição (15,45%), decorrentes de necessidades clínicas ou logísticas, também apresentaram volume expressivo. Além disso, observaram-se inclusões de tratamentos (9,10%), manejo de reações adversas aos medicamentos (9,10%), fundamentais para a segurança do paciente. Foram registradas falhas de adesão (3,63%), agravos à saúde (3,63%) e erros de prescrição (3,63%), prevenindo potenciais eventos adversos, demandas administrativas paralelas que impactam o tratamento do paciente (4,55%). Complementarmente, realizaram-se 42 (11,54%) doses assistidas, com supervisão direta da administração do fármaco e 5 (1,37%) ações de educação farmacêutica, visando aumentar a autonomia do paciente. Conclusão: O estudo destaca que a teleorientação não substitui o atendimento presencial, mas atua como complemento estratégico, especialmente no seguimento de pacientes crônicos e na resolução de demandas pontuais. Os resultados apresentados reforçam que essa modalidade contribui para a melhoria da qualidade do cuidado, otimização de recursos e fortalecimento da assistência farmacêutica clínica. Predominaram ações de adesão (56,87%), evidenciando o papel do farmacêutico na efetividade e prevenção de PRM. A teleorientação permitiu monitoramento, identificação de falhas, eventos adversos e erros. Demandas sobre uso e absenteísmo indicam fragilidades mitigáveis, reforçando educação, vínculo e segurança do paciente.

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