Resumo
Introdução (com o objetivo): A gestão de materiais médico-hospitalares exige estratégias que integrem segurança clínica e responsabilidade fiscal. Frequentemente, planejamentos históricos superestimados geram fragmentação de estoque e bloqueio desnecessário de dotação orçamentária. A Coordenadoria Geral da Assistência Farmacêutica (CGAF) de Roraima identificou lacuna crítica: portfólio excessivamente fragmentado de fios de sutura (111 itens padronizados) resultando em índice de desabastecimento de 17,11% em 2024, classificado como nível de risco LARANJA (10,1%-20%), indicativo de necessidade urgente de racionalização. Essa fragmentação criava ineficiências nas licitações e desperdiçava recursos por obsolescência. Otimizar o portfólio de fios de sutura da Relação Estadual de Insumos Técnicos (RESIT) através de revisão farmacotécnica e auditoria reversa, mensurado pela redução de itens padronizados e impacto na projeção orçamentária para 2026. Descrição: MÉTODOS: Relato de melhoria de qualidade e análise de impacto orçamentário (dezembro/2024 a fevereiro/2026). A intervenção compreendeu: 1) Revisão farmacotécnica e biomecânica para identificação de itens redundantes baseada em propriedades técnicas e compatibilidade clínica por especialidade; 2) Auditoria Reversa: confronto entre planejamento histórico e consumo real (2023-2025) das unidades de saúde; 3) Análise de impacto orçamentário sob perspectiva do gestor SUS. Metodologia seguiu diretrizes SQUIRE 2.0 e CHEERS 2022. Validação clínica pela Comissão Estadual de Farmácia e Terapêutica com representantes de especialidades usuárias (oftalmologia, cirurgia vascular, microcirurgia) garantindo segurança clínica na despadronização. Resultados: A intervenção reduziu o portfólio de 111 para 74 itens (33,3% de redução). A estimativa orçamentária reduziu de R$ 5.017.090,78 para R$ 2.183.406,24. A evitação de custos (cost avoidance) de R$ 2.833.684,54 (56,5% de redução) decorre primordialmente do ajuste de quantitativos superestimados à necessidade real auditada. Exemplos: Nylon 10-0 (de 7.324 para 336 unidades) reduz custo de R$ 314.932,00 para R$ 14.448,00; Nylon 3-0 (de 26.484 para 11.000 unidades). O índice de desabastecimento absoluto (itens em ruptura) diminuiu de 19 para 13 itens. A concentração de demanda qualificou o estoque e simplificou processos licitatórios. Conclusão: A racionalização estratégica baseada em critérios técnicos e clínicos demonstrou ser ferramenta de gestão eficaz, gerando economia orçamentária superior a 50% sem comprometer a assistência clínica. A adoção de portfólios enxutos qualifica os processos de compras públicas, fortifica a sustentabilidade do SUS e assegura processos mais ágeis e transparentes alinhados à real necessidade de demanda.

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