PE-067 Índice de Complexidade da Farmacoterapia de Pacientes Transplantados Renais do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA)

Palavras-chave

Transplante Renal;
Índice de Complexidade;
Farmacoterapia;
Uso de Medicamentos.

Como Citar

Xavier, J. A., Winter , J. da S., & Pilger, D. (2026). PE-067 Índice de Complexidade da Farmacoterapia de Pacientes Transplantados Renais do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 11(s.4). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00558

Resumo

Introdução (com objetivo): Pacientes submetidos a transplante renal necessitam de terapia imunossupressora contínua para prevenir a rejeição do enxerto, bem como complicações clínicas e óbito. O monitoramento terapêutico é essencial, sendo imprescindível avaliar a complexidade da farmacoterapia, que pode impactar diretamente a adesão ao tratamento imunossupressor. O Índice de Complexidade da Farmacoterapia (ICFT) é um instrumento que quantifica o regime posológico com base na forma de dosagem (seção A), frequência (seção B) e instruções de uso (seção C), servindo como indicador clínico para identificar pacientes com menor e maior carga terapêutica. O objetivo do trabalho é descrever o perfil e a evolução da complexidade da farmacoterapia de pacientes transplantados renais após 30 dias da alta hospitalar e 6 meses após o transplante. Material e Método: Estudo longitudinal prospectivo de 12 meses com amostragem consecutiva, realizada com pacientes transplantados no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. As variáveis incluíram dados sociodemográficos, clínicos e escore do ICFT. A coleta de dados teve início em agosto de 2025, e os participantes foram recrutados mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). O presente trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do HCPA, conforme parecer número 82627124.1.0000.5327. Resultados: Foram incluídos 106 pacientes: 38 do sexo feminino e 68 do sexo masculino. A média de idade foi de 50,52 ± 14,7 anos. Em relação ao nível de instrução, observou-se predominância de pacientes com Ensino Fundamental incompleto (26,4%; n=28) e Ensino Médio completo (24,5%; n=26), que juntos representam pouco mais da metade da amostra. Os demais pacientes (49,1%; n=52) distribuíram-se entre os outros níveis de escolaridade básica e superior. Na primeira avaliação, realizada aos 30 dias, a média do ICFT foi de 52,71, reduzindo-se para 39,47 após 6 meses do transplante. Essa redução progressiva na carga terapêutica demonstrou alta significância estatística (p<0,001). Na estratificação por sexo, o ICFT médio aos 30 dias foi de 49,99 ± 10,45 entre as mulheres e 54,23 ± 11,12 entre os homens. Após 6 meses, os valores reduziram para 37,82 ± 11,30 e 40,39 ± 12,69, respectivamente, tendência constante e proporcional em todas as subseções do instrumento. Apesar das variações numéricas, não houve diferença estatisticamente significativa entre os sexos, nem aos 30 dias (p=0,057) nem aos 6 meses (p=0,301), indicando que o sexo não é fator determinante para a complexidade da prescrição. A faixa etária apresentou correlação linear positiva e estatisticamente significativa com os níveis de ICFT: aos 30 dias, r=0,357 e p<0,001, demonstrando que, à medida que a idade avança, há aumento proporcional na complexidade da farmacoterapia. Em contrapartida, o nível de escolaridade não exerceu influência sobre a complexidade do regime terapêutico (p=0,061 aos 30 dias; p=0,419 aos 6 meses). Conclusões: A complexidade da farmacoterapia é consideravelmente elevada no período imediato pós-transplante, com redução progressiva ao longo dos primeiros meses. A idade avançada destaca-se como o principal fator clínico, dentre os analisados, associado à necessidade de regimes terapêuticos mais complexos.

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00558
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