Resumo
Introdução (com objetivo): As doenças respiratórias crônicas, como DPOC e asma, representam importante carga para o sistema de saúde. A espirometria é considerada o exame padrão-ouro para o diagnóstico, estratificação de gravidade e monitoramento dessas doenças, sendo recomendada por diretrizes nacionais e internacionais. No entanto, seu acesso na rede pública brasileira ainda é limitado. Estudos nacionais indicam que menos de um terço dos indivíduos com suspeita de DPOC já realizou um teste de função pulmonar, reflexo da escassez de serviços, da concentração do exame em grandes centros urbanos, da dependência do atendimento especializado e da insuficiente capacitação de profissionais nos níveis primário e secundário de atenção. Esse cenário resulta em filas de espera prolongadas, que em alguns municípios chegaram a se acumular por anos, atrasando o diagnóstico e o início do tratamento adequado. Entretanto, barreiras estruturais e de qualificação profissional ainda limitam o acesso a esse exame na rede pública. Objetivo Descrever os resultados de um projeto voltado à ampliação do acesso à espirometria e à capacitação de profissionais de saúde em municípios da Região Sul do Brasil, com atendimentos realizados integralmente no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Material e Método: Estudo descritivo das ações desenvolvidas pelo projeto Conexão Pneumo, implementado em quatro municípios da Região Sul do Brasil (Porto Alegre, Campo Magro, Estância Velha e Rolante). Foram analisados indicadores relacionados ao número de espirometrias realizadas, à capacitação de profissionais de saúde, aos treinamentos ofertados e aos aspectos operacionais do serviço, com todas as atividades executadas integralmente no âmbito da rede pública de saúde. Resultados: Foram realizadas 1.000 espirometrias no período, distribuídas entre Porto Alegre (480; 48,0%), Campo Magro (358; 35,8%) e Estância Velha (162; 16,2%). Um total de 655 profissionais de saúde foi capacitado, sendo 600 em Porto Alegre, 20 em Campo Magro, 20 em Rolante e 15 em Estância Velha. A equipe técnica foi composta por uma técnica em espirometria certificada e dois médicos pneumologistas responsáveis pelos laudos. Em Campo Magro, foi implementado um programa de educação continuada com 12 encontros mensais ao longo de um ano, além de suporte técnico contínuo para discussão de casos clínicos e interpretação de exames. O tempo médio de realização das espirometrias variou entre 15 e 20 minutos. Não foram realizadas campanhas ou mutirões adicionais. A avaliação de satisfação dos participantes está em andamento por meio de pesquisa NPS. Conclusões: O projeto demonstrou viabilidade operacional e impacto positivo na ampliação do acesso à espirometria na rede pública de saúde, além de contribuir para a qualificação de profissionais envolvidos no cuidado às doenças respiratórias crônicas. A associação entre oferta do exame, estratégias de educação continuada e suporte técnico especializado mostrou-se fundamental para fortalecer os serviços locais, reduzir barreiras assistenciais e favorecer o diagnóstico mais oportuno. Iniciativas desse tipo têm potencial para qualificar o manejo clínico da asma e da DPOC e apoiar a organização da linha de cuidado no Sistema Único de Saúde.

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