Resumo
Introdução: Para funcionar, as farmácias públicas devem cumprir, tal como as farmácias privadas, toda legislação pertinente aos medicamentos e produtos de saúde, devendo estar regularizada perante o órgão de controle e uso do solo, a vigilância sanitária, o corpo de bombeiros e o Conselho de Farmácia. Os medicamentos são concebidos para beneficiar a saúde das pessoas, todavia também porta riscos, devendo, por conta de sua natureza, ser armazenado e dispensado em ambientes que possibilitem preservar sua qualidade, segurança e eficácia. Tais exigências são balizadas em códigos civis e sanitários e tem por finalidade controlar ou reduzir os riscos de danos aos produtos, à saúde de pessoas e do ambiente. Objetivos: Verificar a existência de documentação técnica-sanitária mínima das farmácias das unidades de atenção primária das Regiões do Brasil. Métodos: Estudo transversal, exploratório, de natureza avaliativa, onde se identificou a existência de Licença de Localização e Funcionamento, Licença Sanitária (Alvará visível e vigente), Licença do Corpo de Bombeiros e Certificado de Responsabilidade Técnica nas farmácias/unidades de dispensação de medicamentos de serviços de atenção básica no SUS, nas regiões do Brasil. Utilizou-se os dados da Pesquisa Nacional de Acesso e Uso Racional de Medicamentos (PNAUM), coletados entre 2013 e 2014, uma amostra constituída por 1.175 farmácias/unidades de dispensação em 600 municípios do Brasil. Resultados: No geral, os menores índices de existência dos documentos avaliados encontraram-se nas farmácias/unidades de dispensação da região Nordeste. A Licença de Funcionamento e Localização foi encontrada em 18,2% e a Licença Sanitária em 24,7% das farmácias da Região Nordeste. Nesta mesma região, em 6,6% da amostra havia Licença do Corpo de Bombeiros e em 15,3% de Certificado de Regularidade do Conselho Regional de Farmácia. Conclusão: O estudo revelou que as farmácias públicas da atenção primária do SUS, de um modo geral, descumprem a legislação, não estando regulares quanto aos documentos mínimos exigidos para o funcionamento. O resultado do estudo preocupa, considerando que a inexistência dos documentos significa que tais ambientes não passaram por vistoria técnica, havendo possivelmente desconhecimento e descontrole sobre os riscos que podem estar sujeitos às pessoas, os produtos e o meio ambiente.
Todo o conteúdo dos artigos publicados no JAFF está licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional, que permite o uso, compartilhamento, adaptação, distribuição e reprodução em qualquer meio ou formato, desde que você dê o devido crédito ao autor(es) original(ais) e a fonte, fornecer um link para a licença Creative Commons e indicar se alterações foram feitas. As imagens ou outros materiais de terceiros neste artigo estão incluídos na licença Creative Commons do artigo, salvo indicação em contrário em uma linha de crédito para o material.
