Resumo
Introdução: A adolescência é uma fase de vulnerabilidade a importantes fatores de risco para a saúde como acidentes, violências e desenvolvimento de doenças. Este fato leva os adolescentes à procura por ações curativas que refletem no uso de medicamentos, seja ele orientado ou não por um profissional de saúde. Assim, tornou-se importante determinar a prevalência da utilização de medicamentos prescritos e não prescritos por adolescentes residentes em comunidades rurais no Sudoeste da Bahia, visando conhecer o perfil farmacoterapêutico deste grupo exposto a condições risco características. Método: Trata-se de um estudo seccional com abordagem domiciliar, realizado em 2015, com 390 adolescentes cadastrados em uma USF da zona rural de Vitória da Conquista, BA. Para a coleta de dados utilizou-se um questionário semiestruturado e os dados de medicamentos foram obtidos através da seguinte pergunta: “Nos últimos 15 dias você usou algum tipo de medicamento?” As especialidades farmacológicas foram desdobradas em seus princípios ativos e classificadas de acordo com o Anatomical Therapeutic Chemical Classification System em todos os níveis. Resultados: Entre os entrevistados, 28,5% fizeram uso de algum medicamento. Dentre os 143 medicamentos referidos, 56,6% foram prescritos e 43,4% não prescritos. Analisando a distribuição das especialidades farmacêuticas segundo a classificação ATC entre os dois grupos, observou-se que para os prescritos predominam as classes: analgésico (18,5%), antibacteriano (16,1%), anti-inflamatório e antirreumático (13,6%), e antiepilético (12,4%), enquanto os não prescritos se distribuem em analgésico (67,7%) e anti-inflamatório e antirreumático (11,3%), majoritariamente. Discussão: O uso de medicamentos entre os adolescentes da zona rural foi semelhante ao encontrado na literatura brasileira. Apesar do predomínio de prescritos, houve uma similaridade na prevalência de utilização de prescritos e não prescritos, e, em ambos os grupos, observou-se o maior consumo de analgésicos. Os medicamentos das classes dos analgésicos/anti-inflamatórios/antirreumáticos são largamente utilizados em comorbidades de caráter agudo que predominam entre os adolescentes. Embora a localização geográfica da zona rural culmine em dificuldades de acesso aos serviços de saúde, o consumo desses medicamentos é favorecido pela facilidade de aquisição em estabelecimentos comerciais e nas farmácias das Unidades de Saúde da Família, além de frequentemente serem recomendados por familiares e amigos. Conclusões: Apesar de relativamente seguro, o uso dos medicamentos de venda livre, classes terapêuticas mais frequentes entre os prescritos e não prescritos, precisa ser feito de forma racional, para evitar a ocorrência de eventos adversos que, além de prejudicar a saúde dos adolescentes, onera o serviço de saúde. Ressalta-se ainda a importância do farmacêutico do NASF no acompanhamento e orientação dessa população de adolescentes, mais vulnerável, principalmente pela dificuldade de acesso aos serviços de saúde, em detrimento da condição de moradia em zona rural.
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