Resumo
Introdução: As heparinas de baixo peso molecular (HBPM) têm substituído a heparina não fracionada por serem igualmente efetivas na prevenção e tratamento de eventos tromboembólicos, possuírem maior conveniência na administração, e não necessitarem de monitorização laboratorial rotineira. A enoxaparina, um dos principais representantes da classe das HBPM, é largamente excretada pelos rins (40% de excreção renal), o que pode levar ao acúmulo em pacientes com insuficiência renal, com consequente aumento no risco de sangramento. Por esse motivo, é recomendada a redução de dose ou a substituição em pacientes com taxa de filtração glomerular (TFG) menor que 30 mL/minuto. Objetivo: Este estudo avaliou a adequação do uso de enoxaparina em pacientes com insuficiência renal na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital do interior da Bahia. Material e método: Trata-se de uma coorte retrospectiva que incluiu pacientes adultos admitidos na UTI, que na admissão ou durante a internação apresentaram insuficiência renal e utilizaram enoxaparina para prevenção de eventos tromboembólicos. Os dados foram coletados dos prontuários dos pacientes internados de junho a agosto de 2014. Foram considerados pacientes com insuficiência renal aqueles cuja estimativa da taxa de filtração glomerular era inferior a 55 mL/minuto, se sexo masculino e 52 mL/minuto, se sexo feminino. Resultados: No período avaliado nós identificamos 21 pacientes que preencheram os critérios de inclusão. Desse total, 14 (66,67%) apresentavam TFG < 30 mL/minuto, dos quais 11 (52,38%) não tiveram a dose da enoxaparina ajustada ou o tratamento substituído. Discussão: A insuficiência renal é um quadro frequente nos indivíduos internados em UTI’s e está comumente associada a situações como sepse grave, insuficiência cardíaca, hipotensão e uso de medicamentos nefrotóxicos. Pacientes com insuficiência renal apresentam um risco adicional para o uso de medicamentos em doses inadequadas, quando os respectivos fármacos e/ou seus metabólitos são eliminados pelos rins, uma vez que essa característica farmacocinética impõe a necessidade de ajuste de dose ou interrupção do tratamento. A falha nesse processo pode resultar em resultados terapêuticos negativos para os pacientes e prejuízo financeiro para a instituição, em vista do aumento no tempo de hospitalização e necessidade de tratamentos adicionais. Conclusão: No período avaliado, mais da metade dos pacientes com indicação de ajuste na dose da enoxaparina, não tiveram suas doses corrigidas.
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