Abstract
Introdução: A infecção crônica pelo vírus da Hepatite C (HCV) atinge aproximadamente 170 milhões de indivíduos no mundo (3% da população) e representa uma das maiores causas de transplantes hepáticos no mundo. No Brasil, estima-se que existam entre 1,4 a 1,7 milhão de portadores deste vírus, entretanto, foram notificados no SINAN 82.025 casos no período de 2009 a 2011. O tratamento visa a erradicação do vírus a fim de melhorar a expectativa e a qualidade de vida do paciente, diminuir a transmissão do vírus e evitar a evolução mais grave da doença. Em 2015, foi incorporado ao SUS, a partir da aprovação dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), os novos medicamentos capazes de atuarem diretamente no vírus, com vantagens significativas em relação ao tratamento com o alfapeguinterferona. Assim, este trabalho tem como objetivo identificar o perfil dos primeiros usuários do SUS cadastrados na Bahia a utilizarem o Daclastavir com Sofosbuvir para tratamento da Hepatite C, após a sua incorporação ao elenco nacional. Materiais e Métodos: Este trabalho trata de um estudo de caso, de natureza quantitativa, que utilizou para coleta dos dados a Ficha de Acompanhamento Ambulatorial dos pacientes em uso de Daclatasvir e Sofosbuvir da Farmácia do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF). Resultados e Discussões: No mês de novembro de 2015, 63 usuários do SUS que foram cadastrados na Farmácia iniciaram o tratamento com Daclatasvir e Sofosbuvir para tratamento da Hepatite C. Todos atendiam plenamente os critérios de inclusão definidos nos PCDT e destes, 24 (38,1%) eram do sexo feminino e 39 (61,9%) do masculino, sendo a maioria destes pacientes com idade superior a 50 anos (84,1%). Cabe considerar que 55 (87,3%) destes pacientes já haviam realizado tratamento anterior com algapeguinterferona e ribavirina, a sua maioria (79,5%) possuíam o vírus de genótipo 1 e 46 (73%) apresentavam grau de fibrose entre F3 e F4 (maior grau). No que diz respeito aos seus hábitos, 51 (81%) declararam que não faziam ou fizeram uso de drogas ilícitas, 41 (65,1) de chás e 33 (52,4%) de bebidas alcoólicas. Em relação ao tratamento, 27 (42,9%) destes pacientes tiveram a solicitação para 12 semanas, 34 (54%) para 24 semanas, 1 (1,6%) teve o tratamento ampliado para 48 semanas e 1 (1,6%) não foi identificado o tempo de tratamento, sendo que destes 51 (81%) fizeram uso concomitante de ribavirina. Salienta-se que 51 (81%) apresentaram algum tipo de reações adversas, tais como cefaléia e anemia que não provocaram a interrupção do tratamento. Notou-se que não foram observados óbitos ou suspensão do tratamento. Além disso, todos os pacientes apresentaram resposta terapêutica positiva visto a melhoria significativa da função hepática ao final do tratamento. Conclusões: Embora a população estudada não represente o total de pacientes em uso destes novos medicamentos na Bahia, a sua caracterização torna-se relevante visto a recente incorporação destes medicamentos ao elenco do SUS.
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