PE - 064 Análise comparativa de custos do DIU de levonorgestrel de 52mg (DIU-LNG 52) versus implante subdérmico de etonogestrel (IMP-ENG): perspectiva do sistema de saúde suplementar brasileiro.

Palavras-chave

Diu; Implante; Custo; Hormonal

Como Citar

Saad, R., Rosell, V., & Foli, D. (2026). PE - 064 Análise comparativa de custos do DIU de levonorgestrel de 52mg (DIU-LNG 52) versus implante subdérmico de etonogestrel (IMP-ENG): perspectiva do sistema de saúde suplementar brasileiro. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 11(s1). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00322

Resumo

Introdução: Os métodos contraceptivos reversíveis de longa duração (LARCs) hormonais representam alternativas eficazes para o planejamento reprodutivo, com taxas de falha inferiores a 0,2% (1). No Brasil, o DIU-LNG 52 e o IMP-ENG são as principais opções disponíveis no mercado. Apesar da eficácia contraceptiva similar, estes métodos diferem significativamente em durabilidade para contracepção: até 8 anos para DIU-LNG 52 (2) e até 3 anos para IMP-ENG (3), impactando diretamente os recursos em saúde. Objetivo: Comparar os custos anuais e cumulativos em 8 anos entre DIU-LNG 52 e IMP-ENG no sistema de saúde suplementar brasileiro. Métodos: A comparação considerou os custos diretos de aquisição dos dispositivos e procedimentos. Os preços dos dispositivos foram obtidos da tabela CMED (julho/2025) (4), utilizando o preço fábrica com ICMS 18%. Custos com procedimentos derivaram do painel D-TISS da ANS de 2024 (acesso em julho/2025) (5). O cálculo dos custos totais do DIU-LNG 52 e IMP-ENG considerou, além do custo dos dispositivos, custo com inserção, remoção e, apenas para o DIU-LNG, ultrassom transvaginal. Para o cálculo do custo no período de 8 anos, tempo de duração do DIU-LNG 52 para contracepção, foram considerados para o DIU-LNG 52, um dispositivo, uma inserção (código D-TISS – 31303293), uma remoção (31303382) e um ultrassom transvaginal (40901300). Para IMP-ENG, em 8 anos, foram considerados o custo com 3 dispositivos, 3 inserções (31303331) e 2 remoções (31303340). Não foram considerados outros custos anuais de consulta e ultrassom por assumir-se que estes fariam parte da rotina anual de acompanhamento ginecológico independentemente do método contraceptivo escolhido. Com base no estudo da FEBRASGO sobre uso dos DIUs (6), foi estimada uma taxa de 3% de mulheres em uso de LARCs para calcular os custos de uma população-alvo em uma operadora com 50.000 mulheres em idade fértil. Resultados: Preços dos dispositivos: DIU-LNG 52 R$ 1.208,26 e IMP-ENG R$ 860,85. Custos procedimentais: inserção DIU-LNG 52, R$ 298,72, remoção DIU-LNG 52, R$ 141,34, ultrassom transvaginal, R$ 78,24, inserção IMP-ENG, R$ 239,99. O valor de remoção do IMP-ENG (31303340) encontrado foi de R$ 817,57, porém por possuir um baixo volume (n = 7) decidimos utilizar o mesmo valor de inserção para remoção (R$ 239,99). No período de 8 anos, o custo total por beneficiária com DIU-LNG 52 foi estimado em R$ 1.726,56 e do IMP-ENG, R$ 3.782,50, logo, o custo anual ajustado para cada método seria de R$ 215,82 e R$ 472,81 para DIU-LNG 52 e IMP-ENG, respectivamente. Em uma operadora com 1.500 usuárias de um método ou outro o custo total em 8 anos seria de R$ 2,6 milhões para DIU-LNG 52 e 5,7 milhões para IMP-ENG. Conclusões: Embora apresente maior custo inicial, o DIU-LNG 52 demonstra menor custo no longo prazo devido à maior durabilidade, resultando em economia significativa para o sistema de saúde suplementar. A diferença de R$ 257 no custo anual por usuária representaria um custo adicional ajustado de R$ 385.489 por ano com IMP-ENG na carteira avaliada, chegando a R$ 3,1 milhões em 8 anos.

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00322
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