Resumo
Introdução: O custo assistencial com tratamento das neoplasias tem gerado impacto financeiro importante nas Operadoras de Plano de Saúde (OPS). A expiração de patentes e a disponibilidade medicamentos genéricos e similares estimula a competição de mercado, otimizando custos, ampliando acesso sem perder eficiência no tratamento dos beneficiários. A lenalidomida possui diversas indicações e consta no ROL de procedimentos e eventos em saúde para o tratamento de mieloma múltiplo (MM), síndrome mielodisplásica e linfoma folicular, a posologia é variável conforme a doença e toxicidade, gerando heterogeneidade de dose. Objetivo: Avaliar o impacto financeiro em uma análise de custo-minimização, com intercambialidade da lenalidomida referência para o similar equivalente em uma OPS. Métodos: Foi realizado um estudo descritivo dos custos desta OPS, seguido de modelagem de custo-minimização entre os pacientes em uso da Lenalidomida, a partir do consumo atual entre as marcas disponíveis no mercado. Após definição da incorporação do medicamento similar, os prescritores foram informados da troca de marca e incentivados a realizar o cadastro na plataforma digital do novo fabricante a ser padronizado para atendimento da legislação. Os pacientes foram acompanhados pela farmacêutica oncologista quanto ao esclarecimento de dúvidas, avaliação da qualidade de vida, através da escala EQ5D e ocorrência de reações adversas ao medicamento (RAM), durante e após o processo de troca. Após a conclusão da dispensação pela nova molécula similar foi avaliado potencial projetado de custo evitado nos 12 meses seguintes. Resultados: Vinte e quatro pacientes realizaram a troca de molécula originadora para similar disponível, todos em tratamento para mieloma múltiplo. A apresentação com maior saída foi de 10mg com 21 cápsulas, representando mais da metade dos pacientes em uso de lenalidomida. O preço do miligrama muda conforme a apresentação, sendo a apresentação de 5mg a dose mais cara, custando quase o dobro em comparação com a cápsula de 10mg. A economia gerada mensal foi de R$102.285,16 para o consumo dos pacientes que migraram (R$4.261,88/ paciente ao mês), sendo destes a custo-minimização projetada para um ano de R$1.227.421,91 (R$51.142,57/ paciente), que representa 70% da projeção inicial. Todos os pacientes foram acompanhados pelo consultório Farmacêutico e apresentaram boa adaptação, sem ocorrência de RAM. Conclusões: Estudos de custo-minimização demonstram ser estratégias eficazes para a otimização de recursos nas OPS, além do acompanhamento contínuo de novas incorporações e dos prazos de expiração de patentes. O custo evitado projetado com a troca de marca foi estimado em R$ 1.750.472,94, valor que pode aumentar conforme o avanço da migração. A intercambialidade entre marcas, aliada ao monitoramento farmacêutico dos pacientes, contribui para a segurança terapêutica e representa uma oportunidade estratégica para otimizar recursos.

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